9/26/2006

A sombra em ação

Desapercebida
se deparou
não era
não podia se espantar
com a própria imagem

é amarrada a vida
impossível descansar
há o que se fazer
o pó a se atirar
o buraco da parede
limpa
arruma
ajeita

quebra no espelho
assombrada
ela se derruba
seria ela o vulto?

confundiu a sombra
desamarcouo suicídio
era impossível
desistir

9/19/2006

Dúvida

Ela queria apenas colocar um pouco de felicidade espontânea no pote. Ela queria poder guardar um gozo, uma válvula de escape para o tédio. Ela queria apertar um botão melhor, mudar a cena, a toalha da mesa, o garfo mais curvo de força. Ela queria dar para alugém um pouco daquilo. Pensava em ir até o fim do arco-íris, mas ele se demorava a chegar. Um dia chegou a pensar que o pote era fictício. Mas antes teve a plena certeza de que a fórmula a esperava em algum plano. Resolveu gritar, para ouvir o eco da resposta. Caiu no buraco. Perdeu o pulso da procura. Sentou no chão.A vida só podia ser a dúvida.Como um lapso corroído ao ato de sentar-se, desistiu.Perguntou mais uma vez para o além, onde estava o achado.Voltou ao estado colapso. O peito doeu, correu para passar a fuga. Como ela sentia aquilo? Como ele poderia vir à sua imagem, como poderia sentir tocá-la se ele não materializava?Como ela podia sentir seu hálito, se ele estava por debaixo da aparência?Como assim?Como ela poderia desistir de alguma coisa que precisava saber?