8/22/2008

O homem, o rio e parte.


Aquele homem apareceu grávido de oito noitadas mal-dormidas. Passou por mim e levou meus anéis de delírio. Eu ofereci cálices, sobremesas, e noites entre galáxias.Ele não quis.Preferiu me enganar, marvcar um encontro e partir.Partir.Alguém me partiu em 3. Você é parte dos cristais que guardo e que corto. Este homem guardava uma sacola de talismã. Mirei-o do umbigo pra cima. Convidei a passear dentro desse abismo.Ele não acreditou que o abismo são outros umbigos,umbigos exagerados, umbigos que inflamam. Eu inflamei e queimei. Muitas vezes subi na carroagem do homem. Ele sempre queria melancias para jogar as sementes no caminho. Não sei porque montei no sonho. Na verdade eu procurava uma outra parte.Parte. Eu já a conheci.É meu oposto, mastiga com calma.Tem a alma parada, mas não apática. A alma voa como elefantes e suas orelhas de asa.Eu voei muitas vezes com a parte. A parte fala, e parece música, há quem ria das gírias e da simplicidade. Eu não, preferia deixar ligado todo tempo aquele rádio de voz que ela sussura. A minha parte nunca toquei. Mas ela toca todas as melodias com suspiro, hálito e calma.Minha parte parece uma árvore abraçada por uma criança.Eu a amo. Mas eu esbarro.Ela esbarra. Dizem que não tem rumo, é como o rio que transbora.Pode parar, transbordar, ou seguir.Pode molhar terras, balbucios,relvas. Ou pode vazar.Eu tenho medo que ela escorra. Então eu encontro o umbigo. A garganta.Parte.Me deixa partida. E o homem me leva.Eu o levo também. Porque é o único que me quer.

Um comentário:

SUNIRMAL DAS disse...

I know english only