9/25/2007

lugar de mim

Alguns chumaços de luz
preto e branco
é o passado e sua vestimenta
de tortura

a voz vem tecendo
um conselho calmo

vá por ali

embora os pés estejam
esticados
duros e presos
neste chão

é preciso cortar

é a força que controla
a força que torna ofegante
seu respiro

eu esperava sair daqui

você está ao léu
longe de qualquer lugar
que sobre a mim

você não pode alimentar
a minha carne

e no entando me invade
e eu que era tão inteira ali
e eu que parecia penugem
que parecia fantasma
entrando na fresta da porta

um medo de não apagar você
uma dor de ainda estar
ainda ser

com seu andar em molejo
com suas peripáceas
pulos em mim

as armas se dissolvem
e volta
volta volta
a agonia que me pulsa
o seu corpo
o seu suor
sua voz
gasta chorando
um carinho

você dá corda na caixinha
e quando chego perto
vira os olhos

eu queria que
você pudesse me tirar
daqui

ou me levasse com você

o dia invade a obrigação
de estar no ponto

seus colares
estão presos
no meu vestido

mas veja
eu preciso ir
preciso que você
abra a porta

nossas ruas se bifurcam
no vão

e deparo novamente

você não responde
eu grito
você acena do outro lado do continente

está morrendo
está morrendo

eu preciso que você
venha terminar
de matar isso

eu preciso que
esta seja a minha última
palavra de uma morte

que renasce todo dia
em outro lugar
de mim

2 comentários:

allan clei disse...

" você fala palavras que apenas a alma compreende ... sagradas, mágicas ... sofro dias de ansiedade até que sejam traduzidas para meu cérebro cotidiano".

beijo no teu coração ...

Enzo Potel disse...

maravilhoso!
do título ao último suspiro.