12/09/2007

Areia




Minha avó dizia

que quando ficou

mais velha


ela viu a vida

escorrendo entre

os dedos


feito areia



eu tenho um medo

de deixar ir

parecido com

o dela


não posso segurar

a areia


não posso

deixar de segurar

de tentar segurar


e se há uma

voz no céu

uma voz



que encha d´água

todas as bacias


quero ser a areia

não a mão


quem vai é sempre mais feliz

do que quem

fica


se há uma voz

no céu


que ela segure

um cálice


de vontade


de con ti nu ar



ar




a

a

a

a



r

2 comentários:

Enzo Potel disse...

esse poema é uma porta aberta
a uma Ryana que conheci com catorze anos
(e com tudo o que isso tem de bom)
tem jeito de palavras que vem da boca, e não do papel
lindamente desesperado, como um último balão

voando

procurando trazer a solução

te amooooo

iberere disse...

A Ryana é amiga do Enzo, alí no poema é de querer ser a areia... já não sei se conheço a mão entre os grãos, ou se os grãos é que são os amigos do Enzo.