6/03/2008

"Onde andará Fernando Karl?" texto de 2002-quando o poeta-nuvem evaporou-se.Mas dizem que...



" O pêssego é tão belo de se ver cheirar tocar e ler. Está tão cheio de sílabas afrodisíacas, mas seu caroço é tão apressado que cria raízes na própria fruta, de tanto desejo pela terra" Enzo Potel

Fernando Karl anda ausente como uma andorinha em tempos de frio. Noutrora esteve entre os pilares da Dide Brandão, e em sua imaginação instável como em dia de chuva, segurava um dos pilares com uma das mãos, e na outra, uma sombrinha fechada. Dançava e saltitava no ar. E cantarolava em preto, em branco. E como em dia de trovoada segurava os raios doidivanos, soltos e inconsistentes escritos como o raio: em susto, surto.

Talvez esteja resgatando o vão do " algo" que em candura (belo que deve ser) se dissolve na estrutura eufórica, melódica e lírica das palavras. Ou ainda atirando outras borrachas, mandando embora toda e qualquer correção para o embelezamento sem conexão entre os versos. Onde se busca a essência que, em maior número perde para o universo único de cada palavra. Na Galáxia de Karl cada palavra tem uma função de planeta, cometa, ou estrela. O poeta deve usar de preferência as palavras estrelas que como no céu, parecem cintilar paradas e desorganizadas. Elas como no poema, "são". Elas não querem dizer, não se bastam, não se conjugam, não se exprimem nem condensam e às vezes, nem se tocam.Talvez uma estrela nem conheça a outra.

Seja lá em que constelação Karl vive, ele traz a liberdade ao poeta, a valiosidade de suas letras, a dedicação total a uma casa que muitas vezes ele brilhantemente vive, talvez não no rabo do foguete, mas no comando de tal. A experiência que ele leva nessa jornada galaxial transmite o vento que balbucia o primeiro contato, o primeiro " ver" diferente.

Onde andará Fernando Karl? Em novos mares, num barco em que a poesia começa, se inicia, mas não pedrifica? O sopro Fernando Karl também deve estar com ele. No silvo libertino e gracioso da pequena praia de São Francisco do Sul ou melhor, na procura incessante dos belos nomes dados aos seres do mar, às conchas que cantam ao pé do ouvido. Sem qualquer ordem ou significado, em breve tudo virará poesia, para ele, que como o pêssego (palavra estrela), cria raízes dentro de si.
*Imagem de Joseph Beuys

3 comentários:

Anônimo disse...

ele está nos minaretes de bizâncio, achando que só ele faz poesia.
ou fazendo uma baliza em Bali.

regina disse...

Se alguém achar o Fernando, lhe diga, por favor, que mandei beijo!

Rubens da Cunha disse...

o Fernando tá aqui ó: http://nautikkon.blogspot.com/
o blog dele.

abraços