9/02/2008

O bicho de castigo





Deixa

eu

gargalhadas estão
contidas entre
meus ganidos
berros e contrários
meu vento
é um redemoinho

onde vão parar os anseios?

estou presa no canto da sala
presa por vozes direcionadas
setas apontando

a janela
e o mundo

mas eu não quero sair daqui.

Não toque
não aproxime
placa

se você pisar
inflamo.

Não é o momento
deixa

eu
o bicho descabelado
que invade as casas


neblina dos cabelos pisados

amarrotados

bicho de pai
e mãe
arrancados da memória

bicho que cheira arranha
eu
porco espinho de praia

mar calmo


na solidão
do ouriço

parece

um castigo

Um comentário:

Lu Chaves disse...

Nega, parece que foi pra mim que escreveste...
identificação total.
Direto pro meu blog.
te amuito.