8/31/2007

branca em neve e seus arranhões


um um pouco desta
estrutura morre um pouco a cada
dia

é negro o paletó que se pendura
a tarde é branca
e úmida

a roupa está grudada
em agonias
afeições
e amarras de fio fino


dói se prender
um pouco de mim
a vela aterrorizante
velou

há ali
entre os desesperos
e o choro do luto

uma mulher

que apodrece
em conceitos e fala

a mulher com um lenço
manchado de desesperança

a mulher em pé
acolhendo o frio
a geada
os pés
gélidos

a mulher que acena
em neve

para uma outra
que se vai
e acorda

a mesma
mesma

Um comentário:

Enzo Potel disse...

é lindo... é uma mão guiando o leitor por um caminho triste, com a mesma força da primeira à ultima palavra.
força para esta Branca de Neve e os arranhões. te amo