8/20/2007

feche os olhos
e me abrace

a cera endureceu
estou tonta
entre os pés
faíscas

entre as unhas
sobras de uma mulher
que escorreu pela cadeira
se remontou
e ao invés de brotar
é fel em terra
é fel que escorre

é fel de grito comprimido.

Viva
a planície de uma janela
limitada
uma reivenção
dos galhos aglutinados
de ruídos

eu estou pó hoje
assentei entre as mobílias

e estou seca

sem passagem para falar
farfalhar

feche os olhos
feche

quero ouvir você rir

estou
no seus olhos fechados

quando me abraço

2 comentários:

BLOG do CHICO LINGÜIÇA disse...

baaaaaaaa

[som de grito comprimido]

puta coisa linda isso!

Enzo Potel disse...

gostaria de ser o primeiro aqui, mas o Olivetto conseguiu correr e chegar antes de mim

eu estou pó hoje
assentei entre as mobílias

Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
lindo, apaixonado, esse poema oscila entre o vermelho e o rosa, algo fim de tarde, algo lindo demais pra aceitar morrer.