10/31/2006
Poste
Foi adiando que eu já
Pesquei
Que era sempre adiante
Que os seus olhos iam
Você sempre pareceu buscar
A pedra do fim do túnuel
Quando você passou
preso na correnteza
Eu tava grudada nos canos
e
há muitos
meus encanamentos
se esgotaram
Você sempre quis
bus car
parecia querer sempre
estar lá
bem alto
bem longe
bem
fo
ra
eu não passei
nem diante
das torneiras do teu castelo
Você se es qui vou
de mim
pulou todas as cercas
afoitou meu desconhecido
onde é que nós estávamos
com as nossas coisas
quando tudo isso
se armou
contra nós?
Na baixa de uma couraça
de palavras dirigida
à platéia
você que me esqueceu no palco
você nem abriu os braços
você me implantou a vontade
de ser um poste
antes mesmo de me chamar
de flor
eu queria era experimentar
ser o bruto, o altivo, o injusto, o delito
um
pos
t
e
pos
t
e
pos
t
e
na tentativa de dar a luz
sem me espalhar.
Pesquei
Que era sempre adiante
Que os seus olhos iam
Você sempre pareceu buscar
A pedra do fim do túnuel
Quando você passou
preso na correnteza
Eu tava grudada nos canos
e
há muitos
meus encanamentos
se esgotaram
Você sempre quis
bus car
parecia querer sempre
estar lá
bem alto
bem longe
bem
fo
ra
eu não passei
nem diante
das torneiras do teu castelo
Você se es qui vou
de mim
pulou todas as cercas
afoitou meu desconhecido
onde é que nós estávamos
com as nossas coisas
quando tudo isso
se armou
contra nós?
Na baixa de uma couraça
de palavras dirigida
à platéia
você que me esqueceu no palco
você nem abriu os braços
você me implantou a vontade
de ser um poste
antes mesmo de me chamar
de flor
eu queria era experimentar
ser o bruto, o altivo, o injusto, o delito
um
pos
t
e
pos
t
e
pos
t
e
na tentativa de dar a luz
sem me espalhar.
Ganhando dentes
A vida não é uma competição
Ninguém aqui é trave
Goleiro nem perna de artilheiro
A vida é uma fissura
É uma inovação
Não é tão pouco guerra
Porque quase ninguém toca fogo
De verdade
Por muito tempo
Muito tempo
Mas a vida é quente
fremita
É uma resistência
De variadas
É uma resistência
-Era preciso desistir
Haviam dito.
Mostrar os dentes
Dobrar as canelas
A vida é um empurrão
Pasmem
Não há de que se abrir a porta
A muralha é grande demais para nós
Adentro
À fora
Há avalanches desejo
E calmaria por de cima
Da angústia arrematada
Todo mundo se amarra
Por dentre millhares
De dedos
Buscando o enlace
a vida é uma dobra
que advém da esquina,
ao rosto quando toca
a brisa já
inesperada
da curva?
Corram
Há de se correr de nada
E de além de si
Correr é a bravura
Para quem precisa rasgar
Cair
Descer
Vomitar
Correr é o remédio
Porém não há do que se fugir
Além das próprias pernas
A memória
A causa
E a insistência
Não são motivos para correr
Correr é pulso
A cadencia do caminho
Herda o amarrado redemoinho da ronda
Rondar é a vitória
Mas não há de se competir
Há abismos na procura
Há desencadeadas forças para a curva
Não há coronel na escrita
Nem há de se conseguir medalhas, premios
Ao poeta cabe olhar o muro alto
Cabe olhar a paisagem entre os musgos dos tijolos
Cavalo dado se mostra o dente
Porém,
Rir é o melhor
Há de se mostrar os dentes,
No riso e na febre
Os dentes falam
Mais que a boca
Ninguém aqui é trave
Goleiro nem perna de artilheiro
A vida é uma fissura
É uma inovação
Não é tão pouco guerra
Porque quase ninguém toca fogo
De verdade
Por muito tempo
Muito tempo
Mas a vida é quente
fremita
É uma resistência
De variadas
É uma resistência
-Era preciso desistir
Haviam dito.
Mostrar os dentes
Dobrar as canelas
A vida é um empurrão
Pasmem
Não há de que se abrir a porta
A muralha é grande demais para nós
Adentro
À fora
Há avalanches desejo
E calmaria por de cima
Da angústia arrematada
Todo mundo se amarra
Por dentre millhares
De dedos
Buscando o enlace
a vida é uma dobra
que advém da esquina,
ao rosto quando toca
a brisa já
inesperada
da curva?
Corram
Há de se correr de nada
E de além de si
Correr é a bravura
Para quem precisa rasgar
Cair
Descer
Vomitar
Correr é o remédio
Porém não há do que se fugir
Além das próprias pernas
A memória
A causa
E a insistência
Não são motivos para correr
Correr é pulso
A cadencia do caminho
Herda o amarrado redemoinho da ronda
Rondar é a vitória
Mas não há de se competir
Há abismos na procura
Há desencadeadas forças para a curva
Não há coronel na escrita
Nem há de se conseguir medalhas, premios
Ao poeta cabe olhar o muro alto
Cabe olhar a paisagem entre os musgos dos tijolos
Cavalo dado se mostra o dente
Porém,
Rir é o melhor
Há de se mostrar os dentes,
No riso e na febre
Os dentes falam
Mais que a boca
10/11/2006
Pérolas
Nada está claro.
Ou estamos jogando pérolas ao porco
ou nós é quem
estamos no estrume
chiqueiro
ou no apoiamos
no papo do café
pontuando a política
e reverenciando
o caos
Ou nós é quem estamos bagunçados
ou o mundo é muito organizado
ou nós é quem relinchamos
ou os códigos e as armadilhas
nos escolheram
quem está clareando o que?
quem é o sujo?
quem é o limpo?
estamos atrás das
palavras cheias do mundo.
Ou estamos jogando pérolas ao porco
ou nós é quem
estamos no estrume
chiqueiro
ou no apoiamos
no papo do café
pontuando a política
e reverenciando
o caos
Ou nós é quem estamos bagunçados
ou o mundo é muito organizado
ou nós é quem relinchamos
ou os códigos e as armadilhas
nos escolheram
quem está clareando o que?
quem é o sujo?
quem é o limpo?
estamos atrás das
palavras cheias do mundo.
10/08/2006
Feliz Cidade
Por causa da dor, cortou o cabelo. Cavou o buraco, jogou as sementes. Não plantou. Caminhou serenamente por entre os mormaços do fim da noite.Disse " oi". Não disse obrigada. Esqueceu o riso. Gritou dentro de casa. Pediu mais uma chance. Implorou. Queria entender o limite. Onde acabava e começava tudo aquilo. Onde ia parar o latejar. Poderiam ver. Poderiam machucar mais a carne travada. Precisava de um motivo para encher o balão. Precisava de uma colher de prazer. Queria uma injeção contra o sentido. Podia ver viver e apropriar o jarro para o suco. Mas se inquietava com a incerteza sobre o certo e o errado. Serviria sonhar?Imaginar folhas, trens, passagens, encontros?Adiantaria sentir tudo aquilo só?Precisava respirar sem sentir, precisava ficar sistemática. Precisava de um cabresto para emoção. Sabia certamente que era impossível continuar sem limite. Sabia que se explodisse talvez ninguém entendesse porque tremia. Por que gritava. Queria ouvir os canarinhos para aliviar. Mas era quase impossível parar a sua busca. Essa sem limite de passagem e saída. Queria só ser feliz. Mas talvez, se não controlasse a amargura, seria difícil explicar seu ato. Mas era seu limite. Era limitada. Precisava se habitar para desbravar, será que seria mesmo aquela parada?Deveria mesmo fazer força para chegar àquele vagão?Estava deparada com a fronteira. Precisava chegar à Feliz Cidade.
10/04/2006
Rúbia
Ela carrega uma incerteza no olhar. Uma vontade insistida de não se sentir indignada, febril, prestes a...Como aquilo poderia lhe acontecer?Ela estava arrependida de se ser.Como ela poderia ter errado o comando? Qual controle tinha lhe fugido a autonomia?Ela preferia não ter que vê-lo. Ela preferia não ter precisar fingir. Ela precisava se esconder daquilo?Mas como?Se a vontade forte era de acabar com a existência d‘ele e daquela mísera dor que arranhava como um garfo em louça o seu meio do peito. Ela jurava nunca mais ter de passar por aquilo, nunca mais iria se permitir sorrir, beijar, e falar docemente. Se pudesse, ela arrebentava as flores e os motéis, as praças e os sorvetes de creme, e as maçãs do amor. Ela poderia fazer aquilo, mas não bastaria.Ainda precisava de um motivo para continuar. Não se permitia nem sequer uma segunda chance. Seria uma pedra, daqui por diante. Talvez respirar fundo e mudar o cabelo. Ela estava no fim do fim do fim do travesseiro. Não podia se absolver. Como poderia cair em tão fina e cautelosa armadilha? Foi o ponto fraco que a engasgou.Antes de sair, conheceu fielmente as penas amassadas na explosão batida do fofo e do soco. Ela nunca havia tomado um murro, em seu belo salto, não conhecera de perto a violência física. Mas conheceu a surra moral. Ela precisava, naquele momento não doer. Mesmo que tivesse se perdido, ela ainda era parte daquilo.E essa a pior parte.Como poderia não ser mais o lixo, se outrora cativou o bueiro e acariciou o esgoto? Como não seria mais a metade-suja se outrora era e sentia-se metade-mor, metade-privilégio?Mesmo a sujeira estando debaixo do tapete.Ela precisava ir. Ao encontro do muro do estouro e do furo.
Des percebida
Se a ausência alivia, será que posso utilizá-la de mim?Tentarei escrever sobre esse sentimento de querer passar pelo mundo sem ser percebida.Era preciso estar transparente. Não como a clara e tênue camada de transpiração, nem tão pouco como clarividência das águas. Os copos suam com o seu respiro. Era preciso me fazer fora de mim, para melhor ver. Era preciso me desamarrar do corpo, anular-se. As máscaras me substituíram, eu posso ser. Qualquer ser eu pretendo. Porém nada me aniquila a vontade de não me perceber, de me esbarrar sem me ver, de sumir-me sem me achar mal faltante. Era necessáro para aquele momento de suor, não pensar. Era necessário trans perceber, desapropriar a segurança. Desvendar o mistério da não existência viva.Era preciso, sim, era preciso, passar ausentemente, gargalhar ausentemente, era prefirível, era preciso.
9/26/2006
A sombra em ação
Desapercebida
se deparou
não era
não podia se espantar
com a própria imagem
é amarrada a vida
impossível descansar
há o que se fazer
o pó a se atirar
o buraco da parede
limpa
arruma
ajeita
quebra no espelho
assombrada
ela se derruba
seria ela o vulto?
confundiu a sombra
desamarcouo suicídio
era impossível
desistir
se deparou
não era
não podia se espantar
com a própria imagem
é amarrada a vida
impossível descansar
há o que se fazer
o pó a se atirar
o buraco da parede
limpa
arruma
ajeita
quebra no espelho
assombrada
ela se derruba
seria ela o vulto?
confundiu a sombra
desamarcouo suicídio
era impossível
desistir
9/19/2006
Dúvida
Ela queria apenas colocar um pouco de felicidade espontânea no pote. Ela queria poder guardar um gozo, uma válvula de escape para o tédio. Ela queria apertar um botão melhor, mudar a cena, a toalha da mesa, o garfo mais curvo de força. Ela queria dar para alugém um pouco daquilo. Pensava em ir até o fim do arco-íris, mas ele se demorava a chegar. Um dia chegou a pensar que o pote era fictício. Mas antes teve a plena certeza de que a fórmula a esperava em algum plano. Resolveu gritar, para ouvir o eco da resposta. Caiu no buraco. Perdeu o pulso da procura. Sentou no chão.A vida só podia ser a dúvida.Como um lapso corroído ao ato de sentar-se, desistiu.Perguntou mais uma vez para o além, onde estava o achado.Voltou ao estado colapso. O peito doeu, correu para passar a fuga. Como ela sentia aquilo? Como ele poderia vir à sua imagem, como poderia sentir tocá-la se ele não materializava?Como ela podia sentir seu hálito, se ele estava por debaixo da aparência?Como assim?Como ela poderia desistir de alguma coisa que precisava saber?
8/29/2006
Imóvel -Para Clarice

Ficarei até distinguir-me. Ficarei no chão de riscos paralelos amadeirados. Ficarei até esmiuçar-me, até nodoa-me, clarear-me, dolorir-me. FIcarei, ficarei, ficarei. Aqui, plantada e pasmada a espera do que não pode acontecer. Ficarei invólucra, cáspita, atordoada, corroída. Ficarei aqui. Esperarei. O homem imóvel se removeu.Vou ficar até me esgotar. Vou ficar até me exaurir. Há três pétalas no chão, não posso consumi-las. Não posso invalidar o sentido de consumir. Não posso consumir o homem imóvel. Posso ver suas mãos, posso tê-las na impossibilidade de o vento as trazer só pra mim. Posso ver os anéis do homem, posso comer o ar, e imaginar os dentes de quem poderia me desejar. Não posso me mover, o homem imóvel pode me deixar sem palavras. Como sairei daqui?Para onde olharei após levantar,?Que posturas devem tingir ao homem pedra esfera, tão certo da minha incerteza?A incerteza é dura como a certeza?A incerteza pode ser de ferro e aço?Ou a certeza é o inexorável cheiro da esfinge?A certeza me assalta de não-certezas.O que eles querem me dizer?Não vou me deixar.Se não, como irei?Estou anônima. Manuscrita. Não me conformo. Parece que não me sou. Estou espalhada.Fora de mim.Ou sou eu?Ou estão em mim todos?Tantos?Ou me desapareço comigo?Tenho que ir agora. Mas não quero.Espalho-me.Estou anônima.O que há?Que se desfolha e clareia. Eu me desapareço.Me perco o controle.Estou sem termômetro. Não posso medir a incerteza, não posso medir a decisão. Ou deveria não ser mais?E o que vou ser se não querer?Finjo.Não posso deixar que identifiquem a minha dúvida.Não quero assumir uma resposta.Não vêem que acabo de me perder?E pareço ter encontrado. Mas estou imóvel, fora de mim. Como pegarei o achado?Como embalarei para dormir o novo?Como darei nascimento a isso se ainda não posso ver o filho?Como posso dar uma vida?Como posso estar certa de que vivo?Estou imóvel e incerta.E ficarei aqui.
8/16/2006
Ralo- das influências do RAP
É o ralo.
Quase ninguém se atreve
a pisar
mas se olhar bem no fundo
todo mundo é de lá
é o ralo
escondido subdouro absurdo
sujo submundo
mas é parte de você
e a maior de todos nós
se quiser dar uma olhada
abra a tampa do bueiro ou
espie a tv
ou se já é alienado
olhe dentro de você
é o ralo
6 milhões de bocas
sem comer
e eles querem reformar
o que?
São partes do mercado
e eles querem me comprar
são tiros
gritos pelo morro
eles pedem pra eu ficar
mas pergunta à assistente
se ela pode vir morar
não vai pagar
não vai pagar
o sorriso que eu plantei
a idéia que eu pensei
quer comprar?
mas não vai pagar.
aqui no ralo
não tem como esperar
o que é sólido
eles ainda dizem
desmachar no ar
Freud não me explica
e o que eu sei
é
do ralo
eu ralo
pra ter
e ainda tenho que comer
se ainda fosse só um produto
que eu precisasse pra viver
eles dão uma olhada
e já querem asfaltar
mas aqui no ralo
a gente quer a beira-mar
bonequinha salto agulha
desculpe eu te espantar
mas enquanto tu passeias
eu me vendo pra pagar
pagar e comprar
pagar e comprar
meu futuro iluminado
só pode ser
ralar pra ter
ter ter ter
ter o que?
se no ralo eu ainda pago pra viver?
Quase ninguém se atreve
a pisar
mas se olhar bem no fundo
todo mundo é de lá
é o ralo
escondido subdouro absurdo
sujo submundo
mas é parte de você
e a maior de todos nós
se quiser dar uma olhada
abra a tampa do bueiro ou
espie a tv
ou se já é alienado
olhe dentro de você
é o ralo
6 milhões de bocas
sem comer
e eles querem reformar
o que?
São partes do mercado
e eles querem me comprar
são tiros
gritos pelo morro
eles pedem pra eu ficar
mas pergunta à assistente
se ela pode vir morar
não vai pagar
não vai pagar
o sorriso que eu plantei
a idéia que eu pensei
quer comprar?
mas não vai pagar.
aqui no ralo
não tem como esperar
o que é sólido
eles ainda dizem
desmachar no ar
Freud não me explica
e o que eu sei
é
do ralo
eu ralo
pra ter
e ainda tenho que comer
se ainda fosse só um produto
que eu precisasse pra viver
eles dão uma olhada
e já querem asfaltar
mas aqui no ralo
a gente quer a beira-mar
bonequinha salto agulha
desculpe eu te espantar
mas enquanto tu passeias
eu me vendo pra pagar
pagar e comprar
pagar e comprar
meu futuro iluminado
só pode ser
ralar pra ter
ter ter ter
ter o que?
se no ralo eu ainda pago pra viver?
8/11/2006
Exata
É uma certeza exata.
Nada pode acontecer hoje
mesmo que pareça
Mesmo que pintes o teu olho
da cor que pretendes ficar
Que te deixem as escolhas
escolher o que?
O caminho é natural.
na sobra desse dia
nada de novo pode acontecer
eu vejo!
Aguardo friamente
no banco gelado da praça
essa incerteza exata
de que o nada aconteceu.
Nada pode acontecer hoje
mesmo que pareça
Mesmo que pintes o teu olho
da cor que pretendes ficar
Que te deixem as escolhas
escolher o que?
O caminho é natural.
na sobra desse dia
nada de novo pode acontecer
eu vejo!
Aguardo friamente
no banco gelado da praça
essa incerteza exata
de que o nada aconteceu.
Neblina
Sob mim o silêncio
o mudo caminho
de ir-se.
Me vou
arrancaram-me os motivos
para não ir
a partida é necessária.
Te deixo as bagagens
meu peito não suportaria
o peso de tantas malas.
Sob nós cobrirão os rostos
os nomes
seremos sempre estes,
estes que se amedrontam
ao dar o primeiro passo.
o mudo caminho
de ir-se.
Me vou
arrancaram-me os motivos
para não ir
a partida é necessária.
Te deixo as bagagens
meu peito não suportaria
o peso de tantas malas.
Sob nós cobrirão os rostos
os nomes
seremos sempre estes,
estes que se amedrontam
ao dar o primeiro passo.
8/02/2006
Anti-Anêmonas
Inevitavelmente eu pergunto quem eles são. São proprietários de um corpo “tanque”, e talvez seja esse mesmo o seu principal objetivo. Não sabem perguntar. Aliás, perguntar o que?Se está tudo tão esteticamente pronto e entregue?
Talvez nunca tenham pensado em envelhecer, e que na velhice a manga fica murcha não dentro da gaveta, mas diante do reflexo. Eu me pergunto quem eles são por detrás das luzes e dragões que consomem pela pele e pela língua. Talvez eles, esnobes e covardes não experimentaram o vento, e também não viram que o ar pode dissipar as folhas de uma revoada de sentidos. O espaço, onde sentam e o que falam não importa.Só pode não importar! Porque em vez de transpirarem álcool dinheiro foto e marca, nitidamente não viram que o espaço é grande e que nós todos somos pequenos demais. Não, eu não comprei nenhum deles, eles se compram, se valorizam, apesar de não saberem responder onde fica o fígado e o que é a bílis. Do que eles gostam? É tão efêmero seu gosto e sua preferência que para saber, só ligando pelo menos vinte minutos o aparelho falante e iluminado com botões acionados de R$.
Eu me pergunto quem eles são. Homens de aparência merecida pela natureza. Eles puderam conhecer o mundo, traçar territórios, crescer e serem mais. E ficaram mais podres, mais arrogantes, mais sem caráter mais ascos mais sem cultura.Talvez nem saibam o que é cultura, mas estão criando a nossa. Nós pobres seres de letras e imagens que observam a vida e sua estranheza, a sociedade e sua complexidade.
Nunca pegaram na pá do lixo, nem para saber o seu peso. Talvez nunca tenham olhado de perto, sequer notaram que alguém a segurava como último consolo. Ou que sob o pó de suas istantes, talvez a empregada doméstica tivesse chorado a dificuldade de um dia sob a cômoda de algum de seus quartos.
Nunca contam vida. Mas somam rodas, latarias, piercings, bonés, e tribais e lisos cabelos de meninas-barbies .
Querem, querem, querem. Foram educados para nem pensarem se sim. Compram, e acham que tudo está a venda, até o sorriso e o grito. Eu me pergunto se um dia eles vão desejar o que não tenham visto. Se vão deixar de se apoiar em happy –hours músicas sem processo e futebol.Se vão ser mais que uma anêmona.
Eu me pergunto se eles são. Ofereço minhas letras e minha retina aglutinada de olhares de todos os lados captados. Espero qualquer manifestação: discutir brigar apaixonar. Eu espero uma reação qualquer, um movimento. Mas eles não são capazes.Talvez se eu estivesse com alguma parte da pele-proibida è deriva, eles me falariam.Mas até a anêmona me cederia o olhar, sem que eu precisasse mostrar a cor da minha erótica. E eu me pergunto até quando vou ter de vê-los e respira-los. Antes fossem mesmo apenas anêmonas.
Talvez nunca tenham pensado em envelhecer, e que na velhice a manga fica murcha não dentro da gaveta, mas diante do reflexo. Eu me pergunto quem eles são por detrás das luzes e dragões que consomem pela pele e pela língua. Talvez eles, esnobes e covardes não experimentaram o vento, e também não viram que o ar pode dissipar as folhas de uma revoada de sentidos. O espaço, onde sentam e o que falam não importa.Só pode não importar! Porque em vez de transpirarem álcool dinheiro foto e marca, nitidamente não viram que o espaço é grande e que nós todos somos pequenos demais. Não, eu não comprei nenhum deles, eles se compram, se valorizam, apesar de não saberem responder onde fica o fígado e o que é a bílis. Do que eles gostam? É tão efêmero seu gosto e sua preferência que para saber, só ligando pelo menos vinte minutos o aparelho falante e iluminado com botões acionados de R$.
Eu me pergunto quem eles são. Homens de aparência merecida pela natureza. Eles puderam conhecer o mundo, traçar territórios, crescer e serem mais. E ficaram mais podres, mais arrogantes, mais sem caráter mais ascos mais sem cultura.Talvez nem saibam o que é cultura, mas estão criando a nossa. Nós pobres seres de letras e imagens que observam a vida e sua estranheza, a sociedade e sua complexidade.
Nunca pegaram na pá do lixo, nem para saber o seu peso. Talvez nunca tenham olhado de perto, sequer notaram que alguém a segurava como último consolo. Ou que sob o pó de suas istantes, talvez a empregada doméstica tivesse chorado a dificuldade de um dia sob a cômoda de algum de seus quartos.
Nunca contam vida. Mas somam rodas, latarias, piercings, bonés, e tribais e lisos cabelos de meninas-barbies .
Querem, querem, querem. Foram educados para nem pensarem se sim. Compram, e acham que tudo está a venda, até o sorriso e o grito. Eu me pergunto se um dia eles vão desejar o que não tenham visto. Se vão deixar de se apoiar em happy –hours músicas sem processo e futebol.Se vão ser mais que uma anêmona.
Eu me pergunto se eles são. Ofereço minhas letras e minha retina aglutinada de olhares de todos os lados captados. Espero qualquer manifestação: discutir brigar apaixonar. Eu espero uma reação qualquer, um movimento. Mas eles não são capazes.Talvez se eu estivesse com alguma parte da pele-proibida è deriva, eles me falariam.Mas até a anêmona me cederia o olhar, sem que eu precisasse mostrar a cor da minha erótica. E eu me pergunto até quando vou ter de vê-los e respira-los. Antes fossem mesmo apenas anêmonas.
7/17/2006
Trans um
Há na transparência
o refugo de um respiro agoniado
o vidro não podia me mostrar
eles não entenderiam
Que a vida só podia existir
Por detrás da mancha de gordura.
o refugo de um respiro agoniado
o vidro não podia me mostrar
eles não entenderiam
Que a vida só podia existir
Por detrás da mancha de gordura.
Da transparência
Há um caule morto
por detrás do vidro
a transparência da forma
me ramificou a melodia dos anos
as linhas entre os azuleijos do chão
me abraçam
meus olhos direcionam ao nau descanso
dissolve todos os cacos
cerra minha fronte
detrás do vidro
eu preferia não me adormecer
por detrás da transparência
eu preferia me mostrar
já ser morte.
por detrás do vidro
a transparência da forma
me ramificou a melodia dos anos
as linhas entre os azuleijos do chão
me abraçam
meus olhos direcionam ao nau descanso
dissolve todos os cacos
cerra minha fronte
detrás do vidro
eu preferia não me adormecer
por detrás da transparência
eu preferia me mostrar
já ser morte.
7/11/2006
Meio alheio
Eu,
não tenho controle
do submeio
são coisas simples
uma janela quebrda
um botão de roupa
uma costura esfarelada
pelo ranço da minha pele
cansada de suar.
O tempo não me deixou
movo a força
movo a tensão
mas a força não me move
não me resplandece
não me sorri
a luz final do túnel
e vejo a força
taciturna do tempo
me perdendo
a morada do corpo
entre pilares cinzas
as ruas longas
da capital arredia
alheia ao silêncio
da minha muda camada
de paz
não tenho controle
do submeio
são coisas simples
uma janela quebrda
um botão de roupa
uma costura esfarelada
pelo ranço da minha pele
cansada de suar.
O tempo não me deixou
movo a força
movo a tensão
mas a força não me move
não me resplandece
não me sorri
a luz final do túnel
e vejo a força
taciturna do tempo
me perdendo
a morada do corpo
entre pilares cinzas
as ruas longas
da capital arredia
alheia ao silêncio
da minha muda camada
de paz
Antúrio dos Anjos anuviados
Mulher,
Quem te sossega esse coração?
Fizeste o berço
Ergueste os braços
Acolheste o desabrigado
Pagaste as contas
Adiantaste o almoço
Tomaste dois comprimidos
Quem te absolve deste estilhaçar
De teus cacos confusos
No chão?
Te esmagaram no piso
A mesma mão que te almofadou
Os pés
Em teus sapatos de cristal
A mesma mão te rondou
breve
que acariciou tua cabeça,
quebrou efêmero e calejado
tuas esperanças empilhadas na cabeceira
do sonho
Não dormiste a espera
Do teu abrigo
Passaste em claro
Unhas e borrões
Perdeste o jogo
Apostaste o pife
A mesma mão que te convidou à mesa
puxou a toalha
e te despedaçou
te deu com o baralho na testa
entortou teu garfo
esqueceu tua sobremesa
Mulher,
há em ti ou no outro
um coração
espreito demais
trancado demais
quem se atreveria
ao te ver tão espinhosa
tocar teu rosto?
Tua pele machucada pelo medo
às vezes pareces pedra
às vezes te redemoinha
às vezes imploras o buraco negro
te penteia
choras em público
te escorregas de dor
e escolhes o dedo apontado
como teu aliado.
Não te sobram quereres
emudeceste o teu íntimo
te faltam forcas para a voz
do novo
não te arriscas
tua outra mesma vida pequena
Mulher,
Tens medo de pular!
O mundo é mais contente que tu
O mundo te parece contente
Enquanto lamentas tua solidão
Queres gritar
Mas não podes,
Há crianças pequenas na vizinha
E a casa vazia pode assustar
Passa da hora em que gritar
É permitido.
A culpa do teu choro és tu
teu espelho do mundo
te enlouqueceu
deste a roupa
deste o alimento
e teu cão te mordeu
aprende mulher
que a vida de um
que de bandeja te fizeste
ao lado
a vida e outros
que de maçã em maçã
ficaste sem o circo
manca dentro
aprende a soltar teus balões
ferver teu café
e ser
teu ninho coberto
constrói teu teto
para que ainda possas
no relampeio
sorrir para as próximas
tempestades.
Quem te sossega esse coração?
Fizeste o berço
Ergueste os braços
Acolheste o desabrigado
Pagaste as contas
Adiantaste o almoço
Tomaste dois comprimidos
Quem te absolve deste estilhaçar
De teus cacos confusos
No chão?
Te esmagaram no piso
A mesma mão que te almofadou
Os pés
Em teus sapatos de cristal
A mesma mão te rondou
breve
que acariciou tua cabeça,
quebrou efêmero e calejado
tuas esperanças empilhadas na cabeceira
do sonho
Não dormiste a espera
Do teu abrigo
Passaste em claro
Unhas e borrões
Perdeste o jogo
Apostaste o pife
A mesma mão que te convidou à mesa
puxou a toalha
e te despedaçou
te deu com o baralho na testa
entortou teu garfo
esqueceu tua sobremesa
Mulher,
há em ti ou no outro
um coração
espreito demais
trancado demais
quem se atreveria
ao te ver tão espinhosa
tocar teu rosto?
Tua pele machucada pelo medo
às vezes pareces pedra
às vezes te redemoinha
às vezes imploras o buraco negro
te penteia
choras em público
te escorregas de dor
e escolhes o dedo apontado
como teu aliado.
Não te sobram quereres
emudeceste o teu íntimo
te faltam forcas para a voz
do novo
não te arriscas
tua outra mesma vida pequena
Mulher,
Tens medo de pular!
O mundo é mais contente que tu
O mundo te parece contente
Enquanto lamentas tua solidão
Queres gritar
Mas não podes,
Há crianças pequenas na vizinha
E a casa vazia pode assustar
Passa da hora em que gritar
É permitido.
A culpa do teu choro és tu
teu espelho do mundo
te enlouqueceu
deste a roupa
deste o alimento
e teu cão te mordeu
aprende mulher
que a vida de um
que de bandeja te fizeste
ao lado
a vida e outros
que de maçã em maçã
ficaste sem o circo
manca dentro
aprende a soltar teus balões
ferver teu café
e ser
teu ninho coberto
constrói teu teto
para que ainda possas
no relampeio
sorrir para as próximas
tempestades.
Antúrio negro dos Anjos
Antúrio negro dos anjos
Vê, ninguém assistiu
à formidável queda
da tua última esperança
afogada na esquina do teu cais
Ninguém está à tua deriva
diante da tua mesa e luz chorando contigo
esse sem descanso pranto
Pega,
toma os aplausos que te gorjearam
pega pluma te prometida
pega o rasgo do teu pranto morto
e enterrado por essa ilusão
Vê,ninguém te remendou
o castelo desabado
na estrada da tua derrota
Ninguém previu
teu suado rumo
Ninguém respirou
teu último poema
jogado as águas beiradas deste litoral
Nem a onda nem a bruma nem o vento
te consolaram o reboco desta ultima ruína
Pega a faca,
dilacera tuas vestes
já não te resta mais nada
deixa de queimar fotos
que as fotos não te causam repugnância
a repugnância inevitável de teres te sido
até o fim de tua verdade
pega a bíbliaega o livro
pega o banco
dessa ridícula esperade
que ainda se alimentava teu coração
Que também o coração homem
já te apontava o mesmo erro
o mesmo alvo
Pega a caneta
engole a tinta
a escrita da tua palavra cansada de vãos
Essas palavras que te falam
mas parecem não te ver
essa palavra que te sonda
te ronda
dizer
o grito
se embrulha no papel jornal
e desiste de ti
de uma vez por todas
Pega tua garganta
tranca teu rasgo
esse rasgo que te previu
a mesma boca macia
que enganou, que te cuspiu
Pega a linha
deixa limpa tua sina
dispensa tua pedra
tua caixa empregada
tua aflição corrosiva
tua primeira primavera
Vê,
ninguém viu descartado
teu único contrato de risos
ninguém segurou tua mão
ninguém te amarrou o cadarço da sandália surrada
teu espasmo
teu elo ao sentido
esparramado no papel
tua gota d’água de olhos lágrima
te afoitou vingadora
marcou a página
que a vida não te permitiu
pular.
Vê, ninguém assistiu
à formidável queda
da tua última esperança
afogada na esquina do teu cais
Ninguém está à tua deriva
diante da tua mesa e luz chorando contigo
esse sem descanso pranto
Pega,
toma os aplausos que te gorjearam
pega pluma te prometida
pega o rasgo do teu pranto morto
e enterrado por essa ilusão
Vê,ninguém te remendou
o castelo desabado
na estrada da tua derrota
Ninguém previu
teu suado rumo
Ninguém respirou
teu último poema
jogado as águas beiradas deste litoral
Nem a onda nem a bruma nem o vento
te consolaram o reboco desta ultima ruína
Pega a faca,
dilacera tuas vestes
já não te resta mais nada
deixa de queimar fotos
que as fotos não te causam repugnância
a repugnância inevitável de teres te sido
até o fim de tua verdade
pega a bíbliaega o livro
pega o banco
dessa ridícula esperade
que ainda se alimentava teu coração
Que também o coração homem
já te apontava o mesmo erro
o mesmo alvo
Pega a caneta
engole a tinta
a escrita da tua palavra cansada de vãos
Essas palavras que te falam
mas parecem não te ver
essa palavra que te sonda
te ronda
dizer
o grito
se embrulha no papel jornal
e desiste de ti
de uma vez por todas
Pega tua garganta
tranca teu rasgo
esse rasgo que te previu
a mesma boca macia
que enganou, que te cuspiu
Pega a linha
deixa limpa tua sina
dispensa tua pedra
tua caixa empregada
tua aflição corrosiva
tua primeira primavera
Vê,
ninguém viu descartado
teu único contrato de risos
ninguém segurou tua mão
ninguém te amarrou o cadarço da sandália surrada
teu espasmo
teu elo ao sentido
esparramado no papel
tua gota d’água de olhos lágrima
te afoitou vingadora
marcou a página
que a vida não te permitiu
pular.
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