A tua voz vem de longe
como uma água parada.
Toda a montanha neblinada
toda a forma irregular
todo cálido momento
de respirar a solidão.
Te venero.
Todo o pano de trás
todo o embrulho da vida
toda forma
uma vez foi tudo um presente.
É uma partida desatinada a vida
que virá amanhã?
Te anuncio.
Mesmo que deixes de pousar
mesmo que não finques raízes.
Amor é filho do inusitado
sentimento métrico dos prazeres.
Anúncio!
É a letra formando a palavra de um.
Anúncio!
um chamado por você.
4/28/2006
4/19/2006
Pedido
Venha,
me traga fugaz
as nossas boas partes
de nos ter sidos.
Venha para dizer
o
sim.
Matando
de vez
as vezes todas
em que o
não
imperou.
Venha no desenhos da minha cabeceira
nos movimentos dos meus dedos
ao te lembrar já estranho.
Venha me cheirar as mãos.
Venha ocultar
aqueles instantes todos
em que quis
me morrer
ao teu lado.
Venha para deixar na minha memória
ao menos uma ida
sem buracos.
Venha para acabar
com essa sujeira entalada
nos olhos do nosso
convívio interno.
Venha para uma visita.
Para um dia sem as demarcações
dos nossos choros.
Nossos gritos ainda empregnados
nessa parede
me lacrimejam a sua bruta ida.
Venha sim!
Nem que seja para abrir e fechar
nossas esperas.
Venha para deixar um trevo
uma semente
um pedaço de pano para a mesa.
Quantas vezes lamentei
os panos escassos
das mesas dessa casa?
Venha trazer uma respiração
sem parto.
Venha trazer um pulso
um ponto-cruz,
algumas maçãs.
Traga algo.
Para as vezes que
deitar minha cabeça
para trás
não seja uma culpa sua.
Para que eu não chore
as vezes em que retomar
um lira dessa lembrança sem cortes.
Para que não me abafe a calma
as vezes que rir
a sua gargalhada comprimida,
tão odiada por mim.
Para as vezes em que eu
bater na porta
dessa solitária história.
Venha me trazer um resquício
dos nossos ridos conflitos.
Um alfinete
uma agulha
um botão
feliz!
Para que eu possa caminhar
nesse sol pairante
sem a sua sombra
incompleta.
me traga fugaz
as nossas boas partes
de nos ter sidos.
Venha para dizer
o
sim.
Matando
de vez
as vezes todas
em que o
não
imperou.
Venha no desenhos da minha cabeceira
nos movimentos dos meus dedos
ao te lembrar já estranho.
Venha me cheirar as mãos.
Venha ocultar
aqueles instantes todos
em que quis
me morrer
ao teu lado.
Venha para deixar na minha memória
ao menos uma ida
sem buracos.
Venha para acabar
com essa sujeira entalada
nos olhos do nosso
convívio interno.
Venha para uma visita.
Para um dia sem as demarcações
dos nossos choros.
Nossos gritos ainda empregnados
nessa parede
me lacrimejam a sua bruta ida.
Venha sim!
Nem que seja para abrir e fechar
nossas esperas.
Venha para deixar um trevo
uma semente
um pedaço de pano para a mesa.
Quantas vezes lamentei
os panos escassos
das mesas dessa casa?
Venha trazer uma respiração
sem parto.
Venha trazer um pulso
um ponto-cruz,
algumas maçãs.
Traga algo.
Para as vezes que
deitar minha cabeça
para trás
não seja uma culpa sua.
Para que eu não chore
as vezes em que retomar
um lira dessa lembrança sem cortes.
Para que não me abafe a calma
as vezes que rir
a sua gargalhada comprimida,
tão odiada por mim.
Para as vezes em que eu
bater na porta
dessa solitária história.
Venha me trazer um resquício
dos nossos ridos conflitos.
Um alfinete
uma agulha
um botão
feliz!
Para que eu possa caminhar
nesse sol pairante
sem a sua sombra
incompleta.
4/17/2006
Apelo musical
Alguém!
Alguém me dê um
motivo
único
para estar aqui.
Algum motivo para estar
neste lugar
incógnito
pequeno e úmido
em mim.
Alguém me dê o motivo
de estar neste luga imóvel
alguém de me dê
o motivo para ventar.
Para não ter ido...
Um motivo para ter feito.
Um qualquer!
Para estar por aqui
e por aí em ti.
Contar, descontar
sentar levantar.
Me dê o motivo dessa mancha
na minha pele
dessa sarda que nasceu
na minha tez,
por alguma ausência
ramificada.
Me dê!
É meu!
Alguém...
Para limpar essa suajeira.
Para olhar adiante
do vidro transparente
da paisagem.
Para persistir aqui,
para porvir,
para esperar
sangrar
ir
ir ir ir ir ir
ir
ir ir ir ir
algum motivo.
Algum motivo para acalentar
essa minha cabeça sem encosto.
Algo me dê
algum motivo
para não
naufragar
borbulhar
fugir
ficar.
Para estar adiante
além
para estar só
para estar
junto
para querer
para cortar
para fazer.
Alguém daí,
algo daqui
para me implorar
a existência.
Alguém me dê um
motivo
único
para estar aqui.
Algum motivo para estar
neste lugar
incógnito
pequeno e úmido
em mim.
Alguém me dê o motivo
de estar neste luga imóvel
alguém de me dê
o motivo para ventar.
Para não ter ido...
Um motivo para ter feito.
Um qualquer!
Para estar por aqui
e por aí em ti.
Contar, descontar
sentar levantar.
Me dê o motivo dessa mancha
na minha pele
dessa sarda que nasceu
na minha tez,
por alguma ausência
ramificada.
Me dê!
É meu!
Alguém...
Para limpar essa suajeira.
Para olhar adiante
do vidro transparente
da paisagem.
Para persistir aqui,
para porvir,
para esperar
sangrar
ir
ir ir ir ir ir
ir
ir ir ir ir
algum motivo.
Algum motivo para acalentar
essa minha cabeça sem encosto.
Algo me dê
algum motivo
para não
naufragar
borbulhar
fugir
ficar.
Para estar adiante
além
para estar só
para estar
junto
para querer
para cortar
para fazer.
Alguém daí,
algo daqui
para me implorar
a existência.
4/10/2006
Pena Morte
Primeiro morreu nossa gata.
Depois morreram algumas
mesmas palavras
tão derivadas de dor.
Depois morreram
nossas músicas compartilhadas.
Morreu a fome de um,
a fome do outro.
Morreram as pernas quentes
nas escadas,
o corpo efeito
da ternura
na estrada.
Morreram os lençóis
os textos
as toalhas
os bilhetes dóceis.
Morreram também as esperanças
Tudo já era, desde o início.
Morreu também os prantos
nada se guardou
para o curtir do amanhã.
Morreu a pancada e o presente
o grito forte
a voz ausente.
Morreu o efeito imediato
morreu.
Morreu a vontade de não dar o tapa
morreu a vontade de estender o braço
morreu a vontade de salvar o afogado.
Morreu a surpresa e a empresa
a conta conjunta
e tudo apareceu na mistura,
morreu o um que tava no outro
morreu o lábio molhado
a torcida inquieta
morreu o suor e o eclipse.
Morreu a grama,
os conjuntos de mãos
as nossas asas que batiam
presas-soltas.
Morreu tudo
até nós
que parecíamos vivos.
Morreu o nosso fôlego
o nosso golpe,
nossa história dividida em dois.
Morreu a sombra
a luz.
Não doeu mais
nada
nada.
e o peso de uma morte
tão esperada
é o nada.
Depois morreram algumas
mesmas palavras
tão derivadas de dor.
Depois morreram
nossas músicas compartilhadas.
Morreu a fome de um,
a fome do outro.
Morreram as pernas quentes
nas escadas,
o corpo efeito
da ternura
na estrada.
Morreram os lençóis
os textos
as toalhas
os bilhetes dóceis.
Morreram também as esperanças
Tudo já era, desde o início.
Morreu também os prantos
nada se guardou
para o curtir do amanhã.
Morreu a pancada e o presente
o grito forte
a voz ausente.
Morreu o efeito imediato
morreu.
Morreu a vontade de não dar o tapa
morreu a vontade de estender o braço
morreu a vontade de salvar o afogado.
Morreu a surpresa e a empresa
a conta conjunta
e tudo apareceu na mistura,
morreu o um que tava no outro
morreu o lábio molhado
a torcida inquieta
morreu o suor e o eclipse.
Morreu a grama,
os conjuntos de mãos
as nossas asas que batiam
presas-soltas.
Morreu tudo
até nós
que parecíamos vivos.
Morreu o nosso fôlego
o nosso golpe,
nossa história dividida em dois.
Morreu a sombra
a luz.
Não doeu mais
nada
nada.
e o peso de uma morte
tão esperada
é o nada.
Indiara
Indiara habita
um vilarejo
de macelas.
Os pés delicados
e a boca mastiga...
Indiara é uma castanha.
Pisoteia os colchões
que a remessa de nuvens
traz.
É algodão uma vez
a cada amanhecer.
Indiara encomenda
às luas florais, rendas, alfazemas...
O relágio desperta
e Indiara abre a janela:
sálvia!
Alcançando os passarinhos
com sua entrega.
Indiara é uma elfa.
Pede ao tempo que pare
para ela passar,
pede ainda um espaço
se alastra
se garça,
fecha sua asa sobre nós.
Lentamente abre
a boca comprimindo o lábio rosa
e a testa branca
Indiara pede...
Indiara pede...
Para trazer-lhe as mudas folhas
caídas no caminho.
Pede.. Para não arrancar
nenhuma
só
as
caídas
Indiara sussurra.
um vilarejo
de macelas.
Os pés delicados
e a boca mastiga...
Indiara é uma castanha.
Pisoteia os colchões
que a remessa de nuvens
traz.
É algodão uma vez
a cada amanhecer.
Indiara encomenda
às luas florais, rendas, alfazemas...
O relágio desperta
e Indiara abre a janela:
sálvia!
Alcançando os passarinhos
com sua entrega.
Indiara é uma elfa.
Pede ao tempo que pare
para ela passar,
pede ainda um espaço
se alastra
se garça,
fecha sua asa sobre nós.
Lentamente abre
a boca comprimindo o lábio rosa
e a testa branca
Indiara pede...
Indiara pede...
Para trazer-lhe as mudas folhas
caídas no caminho.
Pede.. Para não arrancar
nenhuma
só
as
caídas
Indiara sussurra.
4/08/2006
Desmerecida
Ajoelhei-me
deitada no chão
contei as goteiras,
as gotas
abri
fechei
abri fechei
a janelinha esmiuçada do banheiro.
Nada me prende ao chão
nem o pó
nem a masmorra
movimentada do dia.
Eu contei o tempo
arregacei as horas
te insisti
te refalei
me adoeci,
nada
nada
nada
do que vi
foi resposta
das minhas perguntas.
Até a sombra de uma cadeira
marcada na parede
me parece mais livre
que essa história.
Até esses enfeites de macela
sobre a mesa
começos da escada
até tudo isso,
não me respondeu a pergunta.
Ou sou cega-surda
ou deveria ser mesmo muda.
Ou sou apropriada
fina folha de sulfite branca,
pasma,
ou a tentativa de me unir ao chão
ao pó assentado nas prateleiras
não passa de um tênue reflexo
sobre meus sentidos
escondidos
vistos
falados e ouvidos
desmerecidos.
deitada no chão
contei as goteiras,
as gotas
abri
fechei
abri fechei
a janelinha esmiuçada do banheiro.
Nada me prende ao chão
nem o pó
nem a masmorra
movimentada do dia.
Eu contei o tempo
arregacei as horas
te insisti
te refalei
me adoeci,
nada
nada
nada
do que vi
foi resposta
das minhas perguntas.
Até a sombra de uma cadeira
marcada na parede
me parece mais livre
que essa história.
Até esses enfeites de macela
sobre a mesa
começos da escada
até tudo isso,
não me respondeu a pergunta.
Ou sou cega-surda
ou deveria ser mesmo muda.
Ou sou apropriada
fina folha de sulfite branca,
pasma,
ou a tentativa de me unir ao chão
ao pó assentado nas prateleiras
não passa de um tênue reflexo
sobre meus sentidos
escondidos
vistos
falados e ouvidos
desmerecidos.
4/05/2006
Dedos-Buracos
Minhas mãos trêmulas não sustentam
minha vida, vida.
Minhas mãos cheias de boca
não me resgatam
as duras penas que foi o ímpar trabalho
desse sorrisoque me unge.
Os buracos da minha mão
me corroem.
Tudo o que perdi,o que se encontrava
na palma
há um sopro de felicidade,
o tempo ventoso me arrancou.
A âncora dessa história sem fôlego,
não me revelou.
Eu não entrei em mim.
Por muitas vezes nem fui eu.
Os burcacos no azuleijo
a mancha de café na parede,
nada disso me respira no vôo casual
de me ser,
entre essas habituais
imperfeições dos amantes
da vida simples.
A luz que a vida quis dar
não gestei,
eu não escolhi ter vestido esses
cadáveres
pesos em mim.
A rapidez do tempo me arruinou.
Os sofás, as almofadas,
a janela serena de sol,
nada disso me sopra a eternidade.
Ainda me escorando
nos dias vividos
restauro a fronte
do meu ego-sistema
Minhas mãos trêmulas não sustentam
minha vida, vida.
Minhas mãos cheias de boca
não me resgatam
as duras penas que foi o ímpar trabalho
desse sorrisoque me unge.
Os buracos da minha mão
me corroem.
Tudo o que perdi,o que se encontrava
na palma
há um sopro de felicidade,
o tempo ventoso me arrancou.
A âncora dessa história sem fôlego,
não me revelou.
Eu não entrei em mim.
Por muitas vezes nem fui eu.
Os burcacos no azuleijo
a mancha de café na parede,
nada disso me respira no vôo casual
de me ser,
entre essas habituais
imperfeições dos amantes
da vida simples.
A luz que a vida quis dar
não gestei,
eu não escolhi ter vestido esses
cadáveres
pesos em mim.
A rapidez do tempo me arruinou.
Os sofás, as almofadas,
a janela serena de sol,
nada disso me sopra a eternidade.
Ainda me escorando
nos dias vividos
restauro a fronte
do meu ego-sistema
4/01/2006
Doloridos
Escolhi correr
na parte estreita da calçada.
Saltito perdas.
Saltito
no correr
des-emoções
des-ultilidades
des-rítmos
des-corro.
A cerca finca
no troco de uma árvore
cortada ao meio.
Além de decepada
árvore fincada
no arame farpado
sulca
seiva.
Ninguém vai fincar
a história
em que cavei o alicerce.
Ninguém vai sulcar
emudecer
as palavras que foram
minhas e tuas
o ontem
que faz anos.
Ninguém abrirá a mesma
carta
com tanta certeza de
chorar.
Talvez ninguém mais
chore por mim.
Ninguém
vai esmiuçar
as idéias,
morrer por uma tentativa
de te conversar.
Talvez ninguém
ninguém
saiba,
quantas tentativas
fincaram o arame
e fizeram para sempre
parte do nosso
tronco-corpo
dolorido.
na parte estreita da calçada.
Saltito perdas.
Saltito
no correr
des-emoções
des-ultilidades
des-rítmos
des-corro.
A cerca finca
no troco de uma árvore
cortada ao meio.
Além de decepada
árvore fincada
no arame farpado
sulca
seiva.
Ninguém vai fincar
a história
em que cavei o alicerce.
Ninguém vai sulcar
emudecer
as palavras que foram
minhas e tuas
o ontem
que faz anos.
Ninguém abrirá a mesma
carta
com tanta certeza de
chorar.
Talvez ninguém mais
chore por mim.
Ninguém
vai esmiuçar
as idéias,
morrer por uma tentativa
de te conversar.
Talvez ninguém
ninguém
saiba,
quantas tentativas
fincaram o arame
e fizeram para sempre
parte do nosso
tronco-corpo
dolorido.
3/30/2006
Mara
Eu sempre sei
que quando chegar
você vai me alcançar.
Puxar meus sete braços
minhas 12 mãos
meus vinte olhos.
Sempre sei que você
vai frear o meu abuso,
vai me rememorar
o que só com cinquenta anos
não se pode desesperar.
Que a mente é um caminho duplo
e que á no ventre de uma mãe
que estão os alicerces
da sábia criação.
Eu sei que as roupas limpas
a voz trêmula
o suspiro
e essa doçura
rida do mundo,
vão te balançar para
respirar um pouco
do seu lugar:
o céu.
que quando chegar
você vai me alcançar.
Puxar meus sete braços
minhas 12 mãos
meus vinte olhos.
Sempre sei que você
vai frear o meu abuso,
vai me rememorar
o que só com cinquenta anos
não se pode desesperar.
Que a mente é um caminho duplo
e que á no ventre de uma mãe
que estão os alicerces
da sábia criação.
Eu sei que as roupas limpas
a voz trêmula
o suspiro
e essa doçura
rida do mundo,
vão te balançar para
respirar um pouco
do seu lugar:
o céu.
3/28/2006
Revelações
Para alguns
posso tirar a fina camada
que esconde o meu rosto.
Para alguns,
posso engradecer o meu riso,
a fim de apenas tentar.
Para alguns desses que me passam,
posso falar uma palavra alta
um palavra desistida de existir.
Posso falar a palavra morta.
Enquanto tudo aquilo que não
penso vida rasteja um chamado
de uma palavra esquecida.
Posso abolir meu corpo
gestual, ao falar.
Posso usar as palavras erradas
jogadas por momentos
em sentimentos vãos e efêmeros
que me habitam.
Direciono-me, em alguns
que me trilham ao me encontrar
que marcam meu caminho
com pedaços de pão,
milho,
e pequenos toques
de cumprimentos.
Para alguns posso dramatizar
meu drama, radicalizar
meu conceito,
criticar gullar.
Para esses que enebriam
a vontade de me ser,
que me querem acentuar
o alto,
àqueles que me perdoam
as palavras esquecidas
e as demais ditas
repetidas
posso chorar.
E ao chorar posso dizer
após,
ao me desmanchar
que não era preciso ser.
Na obviedade das lamentações
limitadas,
de toda uma tragetória
para esses,
posso me crucificar
posso tentar
na testemunha
do meu choro
na prisão-tranfiguração,
unir-me a mim.
Para alguns
posso tirar a fina camada
que esconde o meu rosto.
Para alguns,
posso engradecer o meu riso,
a fim de apenas tentar.
Para alguns desses que me passam,
posso falar uma palavra alta
um palavra desistida de existir.
Posso falar a palavra morta.
Enquanto tudo aquilo que não
penso vida rasteja um chamado
de uma palavra esquecida.
Posso abolir meu corpo
gestual, ao falar.
Posso usar as palavras erradas
jogadas por momentos
em sentimentos vãos e efêmeros
que me habitam.
Direciono-me, em alguns
que me trilham ao me encontrar
que marcam meu caminho
com pedaços de pão,
milho,
e pequenos toques
de cumprimentos.
Para alguns posso dramatizar
meu drama, radicalizar
meu conceito,
criticar gullar.
Para esses que enebriam
a vontade de me ser,
que me querem acentuar
o alto,
àqueles que me perdoam
as palavras esquecidas
e as demais ditas
repetidas
posso chorar.
E ao chorar posso dizer
após,
ao me desmanchar
que não era preciso ser.
Na obviedade das lamentações
limitadas,
de toda uma tragetória
para esses,
posso me crucificar
posso tentar
na testemunha
do meu choro
na prisão-tranfiguração,
unir-me a mim.
3/24/2006
Presságios
Derrubaste as minhas agulhas,
alfinetes,
quinquilharias
sonoramente
no chão.
Ando escassa
tênue mancha
sentada à quina de uma
cadeira.
Ouço o ventar .
Não me pergunte
onde colocarei os restos,
onde ensaiarei os começos,
os meios.
O que farei com os vestígios,
onde,
onde vou pôr
o sentimento de perda
que me rememora
cada respiração
parada.
Parei de tentar.
Presságios anunciam outra
janela.
Desta,
não te abanarei.
Também não sei
o que farei com as mãos
após te acenar o adeus.
Não sei onde colocar
as assinaturas
os presentes
e os ausentes
contados minuciosamente
em casa parte deste corpo
um registro.
Partirei quando partires.
Partirei, partirei, partirei
com afagadas esperas
de me voltar.
alfinetes,
quinquilharias
sonoramente
no chão.
Ando escassa
tênue mancha
sentada à quina de uma
cadeira.
Ouço o ventar .
Não me pergunte
onde colocarei os restos,
onde ensaiarei os começos,
os meios.
O que farei com os vestígios,
onde,
onde vou pôr
o sentimento de perda
que me rememora
cada respiração
parada.
Parei de tentar.
Presságios anunciam outra
janela.
Desta,
não te abanarei.
Também não sei
o que farei com as mãos
após te acenar o adeus.
Não sei onde colocar
as assinaturas
os presentes
e os ausentes
contados minuciosamente
em casa parte deste corpo
um registro.
Partirei quando partires.
Partirei, partirei, partirei
com afagadas esperas
de me voltar.
Passa eira
Roda incessante
gira sem parar.
A roda passageira
do tempo me levou,
não há mais nada de mim
antes.
Eu me pareço
padeço de outro.
O anunciador timbre
de um portão aberto
me esconde
não espero a passagem das visitas.
Uma cidade sem prédios
se fecha circular,
sombra interminável
de um caminho
desprovido
céu desaberto.
Carrego e passo.
Antes que me marquem
a porta fechada da saída.
Poltronas não descansam
cabeças que não pesam
o travesseiro.
Entro e passo.
O amargor
de uma porta escancarada
não compensa
a estranheza
do caminho definhado,
pontiagudo final.
Roda incessante
gira sem parar.
A roda passageira
do tempo me levou,
não há mais nada de mim
antes.
Eu me pareço
padeço de outro.
O anunciador timbre
de um portão aberto
me esconde
não espero a passagem das visitas.
Uma cidade sem prédios
se fecha circular,
sombra interminável
de um caminho
desprovido
céu desaberto.
Carrego e passo.
Antes que me marquem
a porta fechada da saída.
Poltronas não descansam
cabeças que não pesam
o travesseiro.
Entro e passo.
O amargor
de uma porta escancarada
não compensa
a estranheza
do caminho definhado,
pontiagudo final.
Criar a casca grossa
quando a mandíbula
estiver trêmula.
Criar um ápice
pico-deusa
monte aberto
escalada,
quando a memória
reafirmar a cautela.
Amanhecer
na hora em que o meio
dos tendões abrirem a janela
sem trinca.
Silênciar
entre o instante
do grito
e esfera frágil
quebradiça
da dor interissa.
Abafar
quando o vento gelado
de um sussurro pelas costas
puxar a membrana do interno.
Desmanchar-se
quando a ponta do dedo
apontar o umbigo mentido.
Esticar-se
quando as mãos,
a voz,
e a palavra
te esmurrugarem
contra a parede.
Fingir
quando até aqui
transbordar,
passar do limite.
Arrancar
mesmo que por tentivas
vãs,
abrir, fechar,
suicidar,
mesmo que invisível
permaneça.
Ferir, correr,
quando não há mais
nada a desfazer-se.
quando a mandíbula
estiver trêmula.
Criar um ápice
pico-deusa
monte aberto
escalada,
quando a memória
reafirmar a cautela.
Amanhecer
na hora em que o meio
dos tendões abrirem a janela
sem trinca.
Silênciar
entre o instante
do grito
e esfera frágil
quebradiça
da dor interissa.
Abafar
quando o vento gelado
de um sussurro pelas costas
puxar a membrana do interno.
Desmanchar-se
quando a ponta do dedo
apontar o umbigo mentido.
Esticar-se
quando as mãos,
a voz,
e a palavra
te esmurrugarem
contra a parede.
Fingir
quando até aqui
transbordar,
passar do limite.
Arrancar
mesmo que por tentivas
vãs,
abrir, fechar,
suicidar,
mesmo que invisível
permaneça.
Ferir, correr,
quando não há mais
nada a desfazer-se.
Criar a casca grossa
quando a mandíbula
estiver trêmula.
Criar um ápice
pico-deusa
monte aberto
escalada,
quando a memória
reafirmar a cautela.
Amanhecer
na hora em que o meio
dos tendões abrirem a janela
sem trinca.
Silênciar
entre o instante
do grito
e esfera frágil
quebradiça
da dor interissa.
Abafar
quando o vento gelado
de um sussurro pelas costas
puxar a membrana do interno.
Desmanchar-se
quando a ponta do dedo
apontar o umbigo mentido.
Esticar-se
quando as mãos,
a voz,
e a palavra
te esmurrugarem
contra a parede.
Fingir
quando até aqui
transbordar,
passar do limite.
Arrancar
mesmo que por tentivas
vãs,
abrir, fechar,
suicidar,
mesmo que invisível
permaneça.
Ferir, correr,
quando não há mais
nada a desfazer-se.
quando a mandíbula
estiver trêmula.
Criar um ápice
pico-deusa
monte aberto
escalada,
quando a memória
reafirmar a cautela.
Amanhecer
na hora em que o meio
dos tendões abrirem a janela
sem trinca.
Silênciar
entre o instante
do grito
e esfera frágil
quebradiça
da dor interissa.
Abafar
quando o vento gelado
de um sussurro pelas costas
puxar a membrana do interno.
Desmanchar-se
quando a ponta do dedo
apontar o umbigo mentido.
Esticar-se
quando as mãos,
a voz,
e a palavra
te esmurrugarem
contra a parede.
Fingir
quando até aqui
transbordar,
passar do limite.
Arrancar
mesmo que por tentivas
vãs,
abrir, fechar,
suicidar,
mesmo que invisível
permaneça.
Ferir, correr,
quando não há mais
nada a desfazer-se.
Resolve logo
Quer todo o meu tempo
quer meu olho
e meu passo
meu círculo vicioso
quer ser meu cigarro?
quer um trago?
eu não fumo não
eu corro desse bando.
Puxa meu braço
mas não com força,
entorna escoa
pode brigar berrar
e só puxar meu braço
que eu só não tenho tempo
pra viciar,
nem pra fumar,
explica grita!
Pode ir falando
que eu só não tenho tempo
pra viciar
e pra emburrar.
Quer todo o meu tempo
quer meu olho
e meu passo
meu círculo vicioso
quer ser meu cigarro?
quer um trago?
eu não fumo não
eu corro desse bando.
Puxa meu braço
mas não com força,
entorna escoa
pode brigar berrar
e só puxar meu braço
que eu só não tenho tempo
pra viciar,
nem pra fumar,
explica grita!
Pode ir falando
que eu só não tenho tempo
pra viciar
e pra emburrar.
Desvio
Desviaram o teu último passo.
Caso você queira voltar
é proibido.
A lei te deixou
sem nada,
a lei não é fala.
O dedo apontado
no teu nariz,
a água escorrida
no meio das tuas pernas
o nervosismo
a brasa
a cinza
e finalmente
o suspiro,
não te deram
uma segunda chance.
O sol da primavera
é escaldante e ainda sim,
na ardênciada tua pele
a água não te refrescou.
Tua concha de mão
não regou,
você procura
um sim
você procura
dar a última volta
do sonho imediato.
A lei te proibiu
de pensar
a lei não te deixou usar
o fio-dental
a lei da vida,
não te trouxe
a aspirina,
as gotas de essência
não funcionam
sem a pele.
De nada adiantou
o esforço.
Você teve artista,
que rezar
para pegar
o desvio estreito
`a ter que pintar
a carade ouro,
para que te sorrisem
uma nota no jornal.
Desviaram o teu último passo.
Caso você queira voltar
é proibido.
A lei te deixou
sem nada,
a lei não é fala.
O dedo apontado
no teu nariz,
a água escorrida
no meio das tuas pernas
o nervosismo
a brasa
a cinza
e finalmente
o suspiro,
não te deram
uma segunda chance.
O sol da primavera
é escaldante e ainda sim,
na ardênciada tua pele
a água não te refrescou.
Tua concha de mão
não regou,
você procura
um sim
você procura
dar a última volta
do sonho imediato.
A lei te proibiu
de pensar
a lei não te deixou usar
o fio-dental
a lei da vida,
não te trouxe
a aspirina,
as gotas de essência
não funcionam
sem a pele.
De nada adiantou
o esforço.
Você teve artista,
que rezar
para pegar
o desvio estreito
`a ter que pintar
a carade ouro,
para que te sorrisem
uma nota no jornal.
Varrida
Todas as escolhas
todas,
estão enfileiradas
de fronte à minha testa.
Toda a parte de mim
se embrenha nas milézimas
moléstias, amores e dores,
felicidades...
Me desejam.
Todas as coisas que cabem
nessa gaveta
transbordam
expectativas,
potes ,
baldes,
passados rostos,
passadas entradas,
pálidas palmeiras
desenhadas
no papel gasto
de um dia vivido.
Todos, todos os ideais
estão encaixotados
dentro de uma vasilha de planos.
Planos morridos,
planos quase-atingidos
metas que me rememoram
metas
metas metas,
onde vou chegar?
Nos cantos das idéias
medos de caça,
medos amendrotados
de medos,
possibilidades,
propagações
crescimentos,
escapatórias,
estradas,
panfletos para um dia,
eventos à espreita.
onde vou chegar?
Cargas, descargas,
agora
tudo pode ser eu.
E toda, toda a minha vida
se passa
na vassoura varrida do começo do dia,
onde vou chegar?
Todas as escolhas
todas,
estão enfileiradas
de fronte à minha testa.
Toda a parte de mim
se embrenha nas milézimas
moléstias, amores e dores,
felicidades...
Me desejam.
Todas as coisas que cabem
nessa gaveta
transbordam
expectativas,
potes ,
baldes,
passados rostos,
passadas entradas,
pálidas palmeiras
desenhadas
no papel gasto
de um dia vivido.
Todos, todos os ideais
estão encaixotados
dentro de uma vasilha de planos.
Planos morridos,
planos quase-atingidos
metas que me rememoram
metas
metas metas,
onde vou chegar?
Nos cantos das idéias
medos de caça,
medos amendrotados
de medos,
possibilidades,
propagações
crescimentos,
escapatórias,
estradas,
panfletos para um dia,
eventos à espreita.
onde vou chegar?
Cargas, descargas,
agora
tudo pode ser eu.
E toda, toda a minha vida
se passa
na vassoura varrida do começo do dia,
onde vou chegar?
3/16/2006
2/18/2006
Joio
Não me responsabilize
por algumas afirmativas
que fiz ao vento,
e você rememorou.
Tinha me injuriado
com os galhos arranhados
que a vida me regou.
Eu hoje não queria ter dito.
Eu hoje apanharia roupas usadas
e objetos sem mais valor,
e levaria de presente
'a qualquer um
como pedido de desculpas
'a outros.
Também os atos,
alguns quebrados
as sobras de um gesto
que eu não fiz,
não pude fazer,
me eleve.
Desconte as faíscas
quando o âmago açucarado
te repeliu pela minha boca.
Não era nada daquilo.
Estou na epístola dos nomes negros.
Pelos trocadilhos
de fazer mal
de ão fazer bem, e de fazer bem
quando era pra não fazer nada.
Pelos olhos e atitudes não te dei,
mas dei o tapa.
Não escondo a mão.
Se é em vão pedir,
se deitar-se 'a beira do arrependimento
não resolve a vida,
não leve a sério
também o este poema
que carrega todas as tosses
enfermidades
que plantei no caminho.
Não me responsabilize
por algumas afirmativas
que fiz ao vento,
e você rememorou.
Tinha me injuriado
com os galhos arranhados
que a vida me regou.
Eu hoje não queria ter dito.
Eu hoje apanharia roupas usadas
e objetos sem mais valor,
e levaria de presente
'a qualquer um
como pedido de desculpas
'a outros.
Também os atos,
alguns quebrados
as sobras de um gesto
que eu não fiz,
não pude fazer,
me eleve.
Desconte as faíscas
quando o âmago açucarado
te repeliu pela minha boca.
Não era nada daquilo.
Estou na epístola dos nomes negros.
Pelos trocadilhos
de fazer mal
de ão fazer bem, e de fazer bem
quando era pra não fazer nada.
Pelos olhos e atitudes não te dei,
mas dei o tapa.
Não escondo a mão.
Se é em vão pedir,
se deitar-se 'a beira do arrependimento
não resolve a vida,
não leve a sério
também o este poema
que carrega todas as tosses
enfermidades
que plantei no caminho.
1/22/2006
Golpe
Raíz e galho
mesmo sentido,
torta.
Folha fina
que corta o vento
cruza o tiro,
bala
encontra
o peito.
Escora o golpe
levanta a lança,
a febre passa
mas demora.
Convívio-dor
engole a fibra
das palavras
açucara as unhas
arranha de leve
o rosto
daquele que
inflama as orelhas.
Postes-árvores
abraça a parada
tediosa
de uma passagem.
Montanha embaralhante
dos misturados bichos
exala
o cheiro.
Um guerreiro nunca
atira o mesmo alvo
faz do golpe oculto
sutil
o respiro
da passagem.
mesmo sentido,
torta.
Folha fina
que corta o vento
cruza o tiro,
bala
encontra
o peito.
Escora o golpe
levanta a lança,
a febre passa
mas demora.
Convívio-dor
engole a fibra
das palavras
açucara as unhas
arranha de leve
o rosto
daquele que
inflama as orelhas.
Postes-árvores
abraça a parada
tediosa
de uma passagem.
Montanha embaralhante
dos misturados bichos
exala
o cheiro.
Um guerreiro nunca
atira o mesmo alvo
faz do golpe oculto
sutil
o respiro
da passagem.
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