Eu vim correndo
com o rosto
todo borrado
de nao
mas vim trazendo
uma sacola
com uma constelacao de
mascaras
pressupostos
mentiras contadas ao pe do ouvido
tudo para rir
com voce
ontem eu pisei em dezessete
pocas de lama
desarmei as roupas
brancas
e as brandas tambem
vestido vermelho
de demais amor
muito amor
nasceram crisantemos
negros
nesta minha carta
perdao as palavras
o escorregador
de lagrimas
esta embutido
prateleiras
e prateleiras
colecao de lixo
embaixo da cama
E voce vem com um fosforo
no meu peito
que era
cinza de ontem
e brasa
de hoje
queimo
queimo
queimo
6/20/2008
6/03/2008
Desmanche

Rosto de madeira
quem está atás de ti?
uma caixa dourada
se abre
sapato de mel
pedrificado
grande perfume do passado
um passo antes
pequenas mãos
de criança
faziam um castelo
na areia
submersas
marinhas
um livro chamado
passado
as folhas chacoalham
chacoalham
rosto de madeira
e feltro
pó
do passado
um desmanche
dentro de mim
rosto de madeira e couro
um dia
um dia
me vestiu inteira
de camurça e sêda
hoje
um frio
rosto de madeira e gás
agonia explosiva
agonia explosiva
conforta esta parede
de vidro
labareda de palavras
e cinzas
rosto de madeira e algodão
você no meu passado
você no meu passado
tão berço
tão raio calor
tão meu
"Onde andará Fernando Karl?" texto de 2002-quando o poeta-nuvem evaporou-se.Mas dizem que...

" O pêssego é tão belo de se ver cheirar tocar e ler. Está tão cheio de sílabas afrodisíacas, mas seu caroço é tão apressado que cria raízes na própria fruta, de tanto desejo pela terra" Enzo Potel
Fernando Karl anda ausente como uma andorinha em tempos de frio. Noutrora esteve entre os pilares da Dide Brandão, e em sua imaginação instável como em dia de chuva, segurava um dos pilares com uma das mãos, e na outra, uma sombrinha fechada. Dançava e saltitava no ar. E cantarolava em preto, em branco. E como em dia de trovoada segurava os raios doidivanos, soltos e inconsistentes escritos como o raio: em susto, surto.
Talvez esteja resgatando o vão do " algo" que em candura (belo que deve ser) se dissolve na estrutura eufórica, melódica e lírica das palavras. Ou ainda atirando outras borrachas, mandando embora toda e qualquer correção para o embelezamento sem conexão entre os versos. Onde se busca a essência que, em maior número perde para o universo único de cada palavra. Na Galáxia de Karl cada palavra tem uma função de planeta, cometa, ou estrela. O poeta deve usar de preferência as palavras estrelas que como no céu, parecem cintilar paradas e desorganizadas. Elas como no poema, "são". Elas não querem dizer, não se bastam, não se conjugam, não se exprimem nem condensam e às vezes, nem se tocam.Talvez uma estrela nem conheça a outra.
Seja lá em que constelação Karl vive, ele traz a liberdade ao poeta, a valiosidade de suas letras, a dedicação total a uma casa que muitas vezes ele brilhantemente vive, talvez não no rabo do foguete, mas no comando de tal. A experiência que ele leva nessa jornada galaxial transmite o vento que balbucia o primeiro contato, o primeiro " ver" diferente.
Onde andará Fernando Karl? Em novos mares, num barco em que a poesia começa, se inicia, mas não pedrifica? O sopro Fernando Karl também deve estar com ele. No silvo libertino e gracioso da pequena praia de São Francisco do Sul ou melhor, na procura incessante dos belos nomes dados aos seres do mar, às conchas que cantam ao pé do ouvido. Sem qualquer ordem ou significado, em breve tudo virará poesia, para ele, que como o pêssego (palavra estrela), cria raízes dentro de si.
*Imagem de Joseph Beuys
5/08/2008
Ícaro e seus balões de cera

Só sou livre quando escrevo. É por não possuir aquilo que mais quero que o quero mais. Eu escrevo como quem chora uma canção entre voz e lágrima. E não gosto de explicar. Eu só deixo o acontecimento e as palavras me assaltarem, ou me confortarem. Defendo a água corrente de meus dedos porque nada pode me fazer parar de escrever. Eu escrevo enquanto inspiro. E quando expiro, as palavras já estão prontas pra germinar. Eu sou uma semente ambulante, procuro um pedaço de texto- terra, porque quero brotar logo e mais e mais.Eu gosto do caminho cheio de ruelas que o pensamento faz entre as palavras, permeando abismos e florestas de bromélias. Gosto de como a palavra vêm, muito mais do que como ela se encaixa no texto. Gosto da água que corre por todos os lados, muito mais do que a certeza de uma lagoa que nunca transborda. Eu gosto do natural.Escrevo com os sentidos mais efêmeros e imediatos, com a sensação, com o "estar". Quando vem o cheiro de noz da sua comida eu canto versos em silêncio. Sorrio por dentro e as palavras me alcançam. Eu coloco primeiro a pergunta no ar: "qual seria a palavra?" qual seria o som que traduz esse momento único na história"? Então, eu gosto de escorregar na certeza.Eu já sei o que quero dizer, mas quero me perder no que escrevo, para nunca perder a vontade de descobrir a essência de um poema. Porque é o mistério das palavras, e a dúvida de um desencaixe, de um "erro"da fórmula, que me seduz.O que é perferfeito e conciso não me faz pensar. Então eu vivo a realidade em busca de pão e café, para saber a resposta. Eu escrevo por que não sei, e quero entrar dentro do que não sei, e continuar errando a resposta, para saber o caminho que me fez chegar, e principalmente: "para não perder o prazer da busca". Dentro do que não sei, aparecem muitas imagens. Eu fecho os olhos e a paisagem vem. Eu escrevo porque gostaria de lembrar sempre a imagem que me habita quando fecho os olhos. Eu vejo muitas coisas, e queria ficar mais tempo olhando, olhando, olhando, respirando a paisagem. Então eu escrevo como quem guarda uma paisagem em uma caixinha de algodão.Então eu abro as palavras e me lembro do momento exato em que ela apareceu pra mim.Eu queria ficar mais tempo contemplando tudo o que crio. É como se o lugar da escrita estivesse coberto de sonhos e verdades que eu gostaria de vivenciar. Então dentro do poema, eu posso sentir tudo aquilo que quero e criei. Então posso ficar próxima ou distante de mim, através do poema. Enquanto ando em direçã ao ponto gostaria de estar catando conchas, descendo serras neblinadas, ou no alto de uma montanha dentro de um chalé de madeira e silêncio, rindo com alguém. Rindo de uma nuvem boba que faz gracinhas ao léu. Então a poesia me adorna, e eu posso estar e ser lá: a nuvem mais boba ém céu aberto. Posso passear entre o azul rarefeito. Se toda minha verdade sobra e se definha entre as ruelas obscuras do cotidiano, quero persegui-la, não a quero deixar morrer. E como estou presa a padrões e prejuízos, e como estou em uma fôrma de bolo, molde a todo tempo, respondendo a perguntas racionalmente, seguindo um futuro traçado pelo suor, sal e colheita tão densa e dura, persigo o que me podaram. E a mim podaram o natural, o erro. O que nasce a todo tempo e podo , podo, antes de vestir o terno.Quando escrevo grito!Quero gritar mais, quero me encontrar aonde não me deixaram abrir a porta. Quero exaurir a liberdade da minha essência.Gosto do fluxo, porque o que é natural não está pronto, e não tem medo de mostrar isso. No fluxo posso ver a verdade que oscila, vascila, devaneia, e tem medo da dúvida, como eu. Gosto da escrita que está perto de mim, e de mim não está perto a certeza, a razão e o "correto", o "ideal". Tenho na minha escrita um companheiro frágil ou forte, oscilante bicho homem. Mostra a ferida, o querer não aceito, o drama, o cruel. Não quero o ditado na escrita,nem um mestre, quero um companheiro que me convide a entrar e dividir tal quel ele é. Quero um espaço pra me encontrar dentro da escrita, sem ter vergonha, sem maiores redutos e clareiras da razão.Eu escrevo como quem enche quatro mil balões coloridos e voa seguro de que sairá ileso. Só pelo prazer de nunca ter feito, pelo prazer de ver a cidade por cima das águas.Preso pelo próprio ar. Escrevendo me liberto. Eu escrevo como ícaro com a liberdade sem medo de mostrar a faca.Mas não aponto. Eu escrevo como as asas e balões de ícaro, que derretem seduzidas pelo sol.
4/11/2008
Perseu e o senhor que unge

cama de nuvens.o gato perseu entra na igreja. gato com coração dilacerado é uma lebre.velhinho dá um abraço em Nssa Senhora Aparecida. perseu, o gato cinza, queria ter mais tempo para ficar contemplando a imagem. embora dentro do seu silêncio, perseu prefere o silêncio dolorido de uma igreja. ele gosta de ouvir, entre respiros, algumas gotas salgadas formarem poças de alívios.alívios.o leve de um alívio. perseu sofre, mesmo com seus olhos de tigre-dente-de-sabre. mesmo com suas lâminas bucais. perseu gosta de dormir nos bancos das igrejas.perseu gostaria de ter mais janelas onde observar o mundo. perseu ama os companheiros, mas gosta muito mais de dias de chuva dentro da casa de madeira ,vapor no ar, e estar só, por detrás da solidão. perseu adora fumaça e sossego.adora a tranquilidade de uma oração. perseu gosta do coração de jesus. Aquela bola entre os espinhos não precisa expirar água, não precisa gritar. perseu gosta de ficar no canto e deitar-se à sombra do velhinho e suas mudas de lírios de plástico. perseu gosta de ver o barulho bem de longe. gosta de andar e ver, andar e não ser visto.gosta do cinza para poder se proteger dos raios.gosta de chorar sem ser percebido.é que perseu chora pra dentro.perseu queria, para sempre, ficar dentro da igreja, perto daquele coração que derrama perdão, amor e vermelho.perseu gosta de andar enão ser visto. perseu gosta do coração que sai de dentro da roupa. perseu gosta de ver as pessoas se ajoelharem e de repente caminharem nas nuvens com o senhor que unge. o senhor dá as mãos a todos. acena sempre um panfleto de milheiro, com esperança entre os dedos.o senhor acaricia o rosto de perseu. o senhor não sabe seu nome. mas sabe o que perseu precisa.o banco. o branco do recomeçar.as nuvens com pêlos macios e claros.e a paz para chorar e para rir, quando quiser.perseu queria ter mais tempo para escrever histórias e mostrar ao senhor que unge. perseu gosta de dormir sabendo que o mundo não vai cair nas suas costas. perseu fica brincando com as joaninhas sem matá-las.perseu só quer o movimento de dentro. perseu quer ficar ali, sendo ungido pelos lírios, pela serenindade do senhor que abraça uma unção sem saber o seu nome. com aquelas mãos ungidas. que por causa do tempo, não tem mais medo de tocar, tudo o que existe.
*foto: Eduardo Green
4/04/2008
Caixa de abelha para Leandro Fortes e Romy Martinez

Caixa de abelha
dentro do guarda roupa
porta de vidro
e notas traçam
o caminho
entre dois
grudo as mãos
esperando você
o seu sorriso
pode abrir
e aparecer
na janela
caixa branca
e amarelada
fotos dos nossos
dias
balões
estourando
de alegria e cor
as abelhas sobrevoam
o quarto
procuram pousar
entre nós
querem nos unir
ao mel
eu vi duas rainhas
andarem no teu corpo
contaram meu segredo
cantaram a orquestra
alinharam as abelhas
a caixa se abriu
e eu não sei se essa música
que toma o quarto
é um enxame
ou a sua voz
saindo da tampa
pairando
suspiros
3/27/2008
joaninhas em silêncio

Eu podia só ficar
guardando os seus olhos
guardando os seus olhos
no entanto venho colecionando
faíscas da sua fala
faíscas da sua fala
e ainda guardo
sua roupa
sua roupa
com esperança
no porão
e tudo começou
em uma conversa
oferendas
e girassol
hoje você
me bate
e arranha meu rosto
você fica se batendo
por mim
nossos restos
em um carrinho
de construção
nossas cinzas
nossos cimentos
de distância
agora
são arremessos
e facas
voando entre nós
estranho
quando outrora
catando joaninhas
em silêncio
no vôo de nós
um sorria
dentro
dentro
do outro
3/17/2008
Carta dos pingos.

Sobraram muitas boas lembranças dentro do pote na estante do porão. As vezes eu olho o vidro de perfume que acabou. tenho vontade de discar os números e ficar invisível falando com você através dos sinais. quando chove, pode olhar a janela e ter certeza de que eu estou escorrendo em algum lugar. muitas partes de mim estao sem vontade de continuar. as palavras ficam diluindo enquanto durmo, depois elas viram uma poça. quase sempre eu acerto a lama.ando com um medo do mundo que..mesmo se você me desse a mão eu pensaria que é tarde demais. os olhares me medem por todos os lados.as pessoas choram porque não são a poesia que eu escolhi. mas não sou eu quem escolho o poema.ele é quem vem me caçando entre tábuas e sopros de dor.eu só escrevo sobre a dor. a dor que as vezes fica cintilante de tão carregada.ás vezes eu preferiria ir embora. pra sempre.porque parece que a minha voz sai entre o mundo, e o mundo tem um tampão grande no ouvido. sou lesma.uma lesma frágil e feia que fica esperando enquanto anda devagar.as vezes o mundo me pede água. e nem de gelo nem de água minhas retinas se enchem. eu nao tenho mais nada para dar.quem vai ficar comigo?por que essa lâmpada da madrugada se quebrou.e parece que a luz é frágil. parece que uns gaviões estao com facas querendo me pegar.eu tenho muito medo de mim. do que não posso fazer.do que pareço para o outro, mas não sou. de verdade. não sou.tenho medo do que ainda nao consigo.ás vezes quando tudo voa espaço a fora eu lembro de nós em cima daquele telhado. o telhado tinha um monstro feio. e nós ríamos do feio. hoje temos medo dos monstros, de sermos nós o monstro mais feio. nós ríamos entre os corredores de um sonho que até então era nitidamente possível. só a neblina e os chocolates nos inspiravam.era tão bom inventar de chorar sem motivo.embora você sempre tivesse no escuro, sempre foi você a minha luz maior.não importa agora se você me vê como uma nódoa.eu sou um resto de pó. que sobrou em cima do seu lençol.eu quis ficar ali, para ningém me ver. se soprar, deixe que eu tome a dimensão do seu quarto e do seu pesar.eu não tenho mais nada o que prender.pesar.perder.
3/10/2008
Em mim *foto: Raquel Stolf

o fantasma de você
assombrando todos os cantos
a fumaça sem você
meus olhos vermelhos no espelho
meses, folhetins
calçada sem branco
calçada sem suas pegadas
onde você anda?
crateras abrem na minha pele
e a sua escama
abre mais feridas
com o tempo
a cicatriz aumenta
com o seu sumiço
o meio de mim fica gritando
mas respiro e suplico
costuro a sangue frio
meus olhos amarelados no espelho
a torneira espalha água
barulho de ninguém em casa
a mesma água que sai de você
o silêncio de você
onde você me guarda em você?
seus copos de sonho
embebedam para infinito escuro
da madrugada
onde pousam suas chaves
mais secretas
eu quero quebrar
onde soa
a miragem de nós dois?
só
em mim.
2/18/2008
Pandora e a caixa de cordas

Que tudo se aquiete
que se abra o violão
e saia a bailarina
e seus pés de asas
que ruflem na caixa
de música
que a madeira do violão
se abra
e vire um barco
no meio do mar
que a dança das luzes
na água
que a dança das folhas
que as formigas carregam
que a dança da sua voz
tornem taciturno todo o caos
por um instante
que a bailarina Pandora
tire da caixa
de cordas
os desatares
a última
réstia de estrela
que a madeira bailarina
do violão
dance no mar
que se abra o violão
e saia a bailarina
e seus pés de asas
que ruflem na caixa
de música
que a madeira do violão
se abra
e vire um barco
no meio do mar
que a dança das luzes
na água
que a dança das folhas
que as formigas carregam
que a dança da sua voz
tornem taciturno todo o caos
por um instante
que a bailarina Pandora
tire da caixa
de cordas
os desatares
a última
réstia de estrela
que a madeira bailarina
do violão
dance no mar
2/11/2008
A Imperatriz das trevas

Até as palavras desaparecerem. E se não existissem palavras? A sua carapuça ia derreter. E se dependesse do seu corpo, como suporte do que você é , o mundo estaria perdido. Além das palavras existe um sentido, o sentido do resto de pó, que você deixa para alguém limpar. Rainha da sujeira, rainha da roupa suja. Venha lavar a marca de sangue das suas palavras. Suas palavras atiram, cospem. Mas na sua carapuça deslavada, você ainda acha que atrás das palavras, pode ficar parecendo a flor mais graciosa e silenciosa do jardim. Até a Imperatriz, sabe varrer onde sujou. Sabe dizer e agir, falar e dar a mão. Para ser rainha, antes é preciso ser escrava, sim. Você seria capaz de dar um beijo em uma criança com lepra?É claro que não. Você é limpa demais. E quando encontra a verdade de palavras lapidadas, um pensamento que cabe ferir alguém com classe, você não hesita em jogar feijão em quem está muito alegre. A alegria que você se frustra em não conseguir ter. Depois você olha o céu, onde de repente você gostaria de plantar sol. Há quem acredite na sua falsa tentativa de ser feliz. É fácil ser leve como a pluma, quando se coloca um caminhão de lama na frente da porta do vizinho. Quem é mais infeliz que eu? Todos devem ser. A terra não pode obedecer só as palavras, dona rainha da colméia. A terra quer ver seu caminhar, a terra quer ver a sua dor e a sua ira, a sua sombra e o seu cais. Não se pode evitar o ruído para se conseguir o silêncio. Só tem mel, quem faz mel, quem dá a mão, quem age. Por trás da suas palavras eu só vejo terra. E por trás da sua cara, eu vejo fel, fel, fel. O fel que liga sua estranha mania de culpar os outros pela sua desgraça. Até as palavras desaparecem. De que valeriam teclas na sua mão, se você não reverencia seu dom, se você reclama , reclama, reclama de terem levado seus anéis. Enquanto de outros, levaram até os dedos. Eu quero ver a Imperatriz das trevas, chorando e pedindo perdão.
2/07/2008
carrosel de milton

Meu coração descansa milton. um coração respira milton.travesseiro com agruras de milton.arranco minha útlima camada de casco rejeitado. milton suspira na canção, me cheira inteira.milton.toca os pés, dança o corpo que estremesse no sofá. o sono dos insetos que moram na cozinha.milton, um rio silencioso que desenha as matas com uma delicadeza de falta.de folha nova em galhos verdes. milton descansa os passarinhos das gaiolas.abre os postais de paisagens que desenham as janelas de um trem mais manso.milton se deita nu, no sol entre as geleiras.desce da mais alta torre de corais que envolvem música e mar, cadência de água chegando na encosta de areia. carrosséis para o infinito.milton dá a certeza entre os vales que há. milton vem dos vales. vale dos sonhos entre nuvens.carrossel de vozes celestes. milton e a trombeta que escorre o soltar de um espírito, que desemboca no mar,mar. mar que milton não nasceu. mar que milton descobriu entre ar e onda, entre as mais doloridas
montanhas da voz.
1/31/2008
Alas de Giovana

Para Giovana Venturini
O mar e o mel
no meu sorriso
giovana
que dedos você
escolhe para cavar
da terra a esmeralda
em mandala
que povoa o rio
da imaginação?
invisível
onde dormem
as opalas, estrelas
e consteações
da sua voz?
borboletas
portas
alas de feixes
multicoloridos
fractais de luz
a mandala viva
dentro dos olhos
de um menino
com fome
dentro da gota
que beija o rio
a mandala respira
ao lado
a l a
a forma se aproxima
cintila e desenha
firme
o lugar da cor
terra se curva
a quinta
dimensão
sopros entre
turmalinas,
cristais em pó
rondam
entrelaçam
geometricamente
o mundo dança
por dentro
giovana
o mago de suas visões
seus sentidos
entre seus dedos
frágeis e tênues
pincel e cerdas
de cura
cor
cura
cor
a cura do mundo
o mundo dá as mãos
e suspira
giovana
1/29/2008
Ciúme

Talvez eu quisesse
que de repente
entre a rosa
que você carrega
na mão
e o céu
a solto
por todo
lugar
todo lugar
é aqui que você deseja
realmente
ficar?
Não seria necessário
que você jamais
tivesse sorrido
mas que
eu
na imensa noturna
lagoa do medo
tivesse certeza
de que seu maior
riso
veio do meu abaço
com saudade e sol
Eu queria apagar
todas as fotos
mas não posso apagar
seus prazeres
embora entre nossos
dedos escorra
gozo e água
fogo,
meu íntimo grita
a mesma incerteza:
será da minha boca
ou da boca dela?
será do meu sonho
e do meu falar
que o caminho se abriu
em girassóis e orquídeas?
Ou seria qualquer pele
com cheiro de hortência
olhos de lilás-hortência
que não revestem
apenas
e somente
o meu corpo?
Onde você esconde
sua maor certeza?
é onde eu quero estar
Onde é sua terra?
É nesta que passeamos
em círculos?
é nela?
Noutra
jussara, amarílis,
avenca
menina?
e se eu não puder
dar
aquilo que você mais precisa?
e se aguém o possuir?
Minha placa é de declive
ruína e montanha
embora entre
os nossos suspiros
eu veja a fumaça verde
que costura
nossa minha
esperança em nós
tenho um medo
de não possuir
a vista da colina
que você mais
rememora
o cheiro que mais
marque suas narinas
a pele que você
mais pulsa
suar
meu maior calafrio
é não estar
entre seus eucaliptos
de respiro
embora eu traga
amoras silvestres
que exalam
entre os cabelos
meus pés
são de roda
e buraco
um buraco
de pedra frio,
fundo
e eu tenho um medo imenso
que você queira
mas não consiga
me dar a mão.
que de repente
entre a rosa
que você carrega
na mão
e o céu
a solto
por todo
lugar
todo lugar
é aqui que você deseja
realmente
ficar?
Não seria necessário
que você jamais
tivesse sorrido
mas que
eu
na imensa noturna
lagoa do medo
tivesse certeza
de que seu maior
riso
veio do meu abaço
com saudade e sol
Eu queria apagar
todas as fotos
mas não posso apagar
seus prazeres
embora entre nossos
dedos escorra
gozo e água
fogo,
meu íntimo grita
a mesma incerteza:
será da minha boca
ou da boca dela?
será do meu sonho
e do meu falar
que o caminho se abriu
em girassóis e orquídeas?
Ou seria qualquer pele
com cheiro de hortência
olhos de lilás-hortência
que não revestem
apenas
e somente
o meu corpo?
Onde você esconde
sua maor certeza?
é onde eu quero estar
Onde é sua terra?
É nesta que passeamos
em círculos?
é nela?
Noutra
jussara, amarílis,
avenca
menina?
e se eu não puder
dar
aquilo que você mais precisa?
e se aguém o possuir?
Minha placa é de declive
ruína e montanha
embora entre
os nossos suspiros
eu veja a fumaça verde
que costura
nossa minha
esperança em nós
tenho um medo
de não possuir
a vista da colina
que você mais
rememora
o cheiro que mais
marque suas narinas
a pele que você
mais pulsa
suar
meu maior calafrio
é não estar
entre seus eucaliptos
de respiro
embora eu traga
amoras silvestres
que exalam
entre os cabelos
meus pés
são de roda
e buraco
um buraco
de pedra frio,
fundo
e eu tenho um medo imenso
que você queira
mas não consiga
me dar a mão.
1/07/2008
Dente-de-leão

Vou soprar
do alto da torre
um dente-de-leão
que ele voe até você
com todas as risadas
que colecionamos
entre a foz
do rio
e o cais
você
dente-de-leão
sempre depois
ruptuosas tempestades
era o único
que se abaixava até o abismo
e me oferecia a mão
joguei as pedras fora
leão
joguei os dentes fora
do alto da torre
um dente-de-leão
que ele voe até você
com todas as risadas
que colecionamos
entre a foz
do rio
e o cais
você
dente-de-leão
sempre depois
ruptuosas tempestades
era o único
que se abaixava até o abismo
e me oferecia a mão
joguei as pedras fora
leão
joguei os dentes fora
fera
sossega-leão
estou esperando o seu abraço
eu sei que estourei o nosso balão
estou esperando o seu abraço
eu sei que estourei o nosso balão
é que foram se amontoando
escárnios e carnes pútridas
que foram aumentando
crescento
na minha alma
até que explodiram
eu juro que tentei não acertar
mas a bala do meu mundo
culminou você
mas estou só
escárnios e carnes pútridas
que foram aumentando
crescento
na minha alma
até que explodiram
eu juro que tentei não acertar
mas a bala do meu mundo
culminou você
mas estou só
na torre
onde o leão ainda não se prosta
ficou só a lenda
do leão que tentou
não morrer de dor
dor
aquilo que fez
eu brigar você
minha dor
e
mesmo indo embora
você deixou uma folha
de alcachofra
e uns lápis
gris
como a cor
de nossas capas
e todas as coicidencias
que voam em dentes
você deixou uma folha
de alcachofra
e uns lápis
gris
como a cor
de nossas capas
e todas as coicidencias
que voam em dentes
para sempre
12/31/2007
Revés
Se uma estrela
se surpreende inteira
e é a própria constelação
sua voz vem
de duas rochas
que desenham
o redor
de um olho-planície
amedrontado
minhas costas doem
suas dores
as estantes pesam
nossos retratos
o seu medo
do meu dentro
se torna vermelho
sangue
conto as vezes
que estive entre
o seu maior pesadelo
me sopra o vento
torço
para parar
longe da sua faca
não quero ver a dor
e o ódio que você
germina entre as mãos
e o pior,
esse escaravelho
que habita
o meio do seu peito
eu não quis provocar isso
eu que te consertei
os arranhões
que não olhava o presente
mas protegia
em sonho
e suspiro
de gostar
absolutamente
acima de qualquer
agulha
de ter algo para passar
as palmas
e abraçar
em sono
Não preciso mostrar
o corpo para dizer
que doeu
Não preciso ir até
o cume do abismo
e gritar a invasão
e a brutalidade
que se mostrou
entre suas palavras
negras
não preciso chorar
e fingir vidro fino
para mostrar
que cortou
onde você anda escondendo
sua verdade-arma?
estava tudo bem
estava tudo colorido
dentro do meu travesseiro
só esperando
o seu sorriso
se surpreende inteira
e é a própria constelação
sua voz vem
de duas rochas
que desenham
o redor
de um olho-planície
amedrontado
minhas costas doem
suas dores
as estantes pesam
nossos retratos
o seu medo
do meu dentro
se torna vermelho
sangue
conto as vezes
que estive entre
o seu maior pesadelo
me sopra o vento
torço
para parar
longe da sua faca
não quero ver a dor
e o ódio que você
germina entre as mãos
e o pior,
esse escaravelho
que habita
o meio do seu peito
eu não quis provocar isso
eu que te consertei
os arranhões
que não olhava o presente
mas protegia
em sonho
e suspiro
de gostar
absolutamente
acima de qualquer
agulha
de ter algo para passar
as palmas
e abraçar
em sono
Não preciso mostrar
o corpo para dizer
que doeu
Não preciso ir até
o cume do abismo
e gritar a invasão
e a brutalidade
que se mostrou
entre suas palavras
negras
não preciso chorar
e fingir vidro fino
para mostrar
que cortou
onde você anda escondendo
sua verdade-arma?
estava tudo bem
estava tudo colorido
dentro do meu travesseiro
só esperando
o seu sorriso
12/09/2007
Areia
Minha avó dizia
que quando ficou
mais velha
ela viu a vida
escorrendo entre
os dedos
feito areia
eu tenho um medo
de deixar ir
parecido com
o dela
não posso segurar
a areia
não posso
deixar de segurar
de tentar segurar
e se há uma
voz no céu
uma voz
que encha d´água
todas as bacias
quero ser a areia
não a mão
quem vai é sempre mais feliz
do que quem
fica
se há uma voz
no céu
que ela segure
um cálice
de vontade
de con ti nu ar
ar
a
a
a
a
r
11/27/2007
nanquim

E se aquele adeus fosse sem dor derramada. Um lágrima que está presa nas minhas retinas. E se você pudesse ter certeza do fim antes mesmo que o presente criasse pernas e começasse a andar. Está tudo retalhado no íntimo, como uma aranha armadeira que tece sua morada como o balanço de um colo de mãe. Parece que a geometria, o calor da terra, e os prismas de cristal, guardam um segredo de nós, parece que está perto demais, e por demais perto sua imagem me satura em grãos. A nossa casa em decomposição. Algum sonho apodreceu em baixo do travesseiro. Seus cheiros absorvem o mesmo momento do atraso, do corte, da finança em escorregador, o caos no jardim, e os lixos espalhados pelo porão de nossas faltas.Eu conto seus suspiros, talvez algum seja o último. A chegada e a partida. Seria esta saída, o último adeus?Eu conto seu último afagar também. Por que você diz adeus, se preencho seu armário de saudade, se pouco do meu perfume ainda envolve seus lençóis, se no teto, ainda há algumas sombras do nosso movimento em meia luz? Por que você diz adeus, se os laços nos puxam pelo pescoço e a nódoa de algumas fissuras ainda preenche o maior lugar do caminho? É um resto que permanece no chão. Uma macha de cor forte vai tornando a aparecer. Primeiro você chega com chagas, e sigo arrancando as vendas da ferida,curo. Depois te peço uma desculpa para desaparecer. E quando o tropeço está escrito tão forte quanto duas mãos em devoção. E se eu vejo a tempestade que se arma no seu olhar. E se eu avanço com medo das suas flechas. Como você pode garantir proeza que é ainda me possuir? Meus pés estão fincados aqui. Você vai correr com as minhas opiniões? Vai pôr pedras na minha esperança que lateja no cinza mórbido que preenche as ruas? E se eu não pudesse dizer nada mesmo vendo todo o precipício. E seu eu quebrasse o espelho do passado e pudesse não olhar para trás. E se u derramasse em nanquim as passagens que levaram meus pés ao sol. E se entre as manchas da minha pegada você ainda pudesse encontrar a chave dessa algema.E se as marcas dos meus pés que saem, borradas em nanquim pudessem voltar a trilha entre nós dois.E se você ainda pudesse me impedir.E se eu pudesse apagar o espaço cada vez maior entre as pegadas do adeus.
11/22/2007
Solução loção- Para Maria Simonetti
Quem me dera
um litro de poção
loção para matar
um sentido
de gozo
fogo
e tortura
um litro
mililitros
e suas migalhas
e seus couros
as últimas peças
que sobraram de você
um caminhão
para o nunca
é o que se resume
o silêncio distanciado
de sorrisos
corpos efêmeros
e voluptuosos
o sopro
o sopro de suas narinas
que percorrem
as costas do nosso
sarcasmo
você ri longe?
você flutua sem mim?
Esta página
solta no espaço
da nossa ousadia
em não aliar
meus dentes pedem você
e eu me emaranho
no pântano
no pântano
a últma solução aquosa
química para desesperados
esquecerem
álcool etílico
que transborda
tesão
tesão que nostalgia
os pés roçando
no cobertor
saudade
saudade
a solução
um litro de poção
loção para matar
um sentido
de gozo
fogo
e tortura
um litro
mililitros
e suas migalhas
e seus couros
as últimas peças
que sobraram de você
um caminhão
para o nunca
é o que se resume
o silêncio distanciado
de sorrisos
corpos efêmeros
e voluptuosos
o sopro
o sopro de suas narinas
que percorrem
as costas do nosso
sarcasmo
você ri longe?
você flutua sem mim?
Esta página
solta no espaço
da nossa ousadia
em não aliar
meus dentes pedem você
e eu me emaranho
no pântano
no pântano
a últma solução aquosa
química para desesperados
esquecerem
álcool etílico
que transborda
tesão
tesão que nostalgia
os pés roçando
no cobertor
saudade
saudade
a solução
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