Se uma estrela
se surpreende inteira
e é a própria constelação
sua voz vem
de duas rochas
que desenham
o redor
de um olho-planície
amedrontado
minhas costas doem
suas dores
as estantes pesam
nossos retratos
o seu medo
do meu dentro
se torna vermelho
sangue
conto as vezes
que estive entre
o seu maior pesadelo
me sopra o vento
torço
para parar
longe da sua faca
não quero ver a dor
e o ódio que você
germina entre as mãos
e o pior,
esse escaravelho
que habita
o meio do seu peito
eu não quis provocar isso
eu que te consertei
os arranhões
que não olhava o presente
mas protegia
em sonho
e suspiro
de gostar
absolutamente
acima de qualquer
agulha
de ter algo para passar
as palmas
e abraçar
em sono
Não preciso mostrar
o corpo para dizer
que doeu
Não preciso ir até
o cume do abismo
e gritar a invasão
e a brutalidade
que se mostrou
entre suas palavras
negras
não preciso chorar
e fingir vidro fino
para mostrar
que cortou
onde você anda escondendo
sua verdade-arma?
estava tudo bem
estava tudo colorido
dentro do meu travesseiro
só esperando
o seu sorriso
12/31/2007
12/09/2007
Areia
Minha avó dizia
que quando ficou
mais velha
ela viu a vida
escorrendo entre
os dedos
feito areia
eu tenho um medo
de deixar ir
parecido com
o dela
não posso segurar
a areia
não posso
deixar de segurar
de tentar segurar
e se há uma
voz no céu
uma voz
que encha d´água
todas as bacias
quero ser a areia
não a mão
quem vai é sempre mais feliz
do que quem
fica
se há uma voz
no céu
que ela segure
um cálice
de vontade
de con ti nu ar
ar
a
a
a
a
r
11/27/2007
nanquim

E se aquele adeus fosse sem dor derramada. Um lágrima que está presa nas minhas retinas. E se você pudesse ter certeza do fim antes mesmo que o presente criasse pernas e começasse a andar. Está tudo retalhado no íntimo, como uma aranha armadeira que tece sua morada como o balanço de um colo de mãe. Parece que a geometria, o calor da terra, e os prismas de cristal, guardam um segredo de nós, parece que está perto demais, e por demais perto sua imagem me satura em grãos. A nossa casa em decomposição. Algum sonho apodreceu em baixo do travesseiro. Seus cheiros absorvem o mesmo momento do atraso, do corte, da finança em escorregador, o caos no jardim, e os lixos espalhados pelo porão de nossas faltas.Eu conto seus suspiros, talvez algum seja o último. A chegada e a partida. Seria esta saída, o último adeus?Eu conto seu último afagar também. Por que você diz adeus, se preencho seu armário de saudade, se pouco do meu perfume ainda envolve seus lençóis, se no teto, ainda há algumas sombras do nosso movimento em meia luz? Por que você diz adeus, se os laços nos puxam pelo pescoço e a nódoa de algumas fissuras ainda preenche o maior lugar do caminho? É um resto que permanece no chão. Uma macha de cor forte vai tornando a aparecer. Primeiro você chega com chagas, e sigo arrancando as vendas da ferida,curo. Depois te peço uma desculpa para desaparecer. E quando o tropeço está escrito tão forte quanto duas mãos em devoção. E se eu vejo a tempestade que se arma no seu olhar. E se eu avanço com medo das suas flechas. Como você pode garantir proeza que é ainda me possuir? Meus pés estão fincados aqui. Você vai correr com as minhas opiniões? Vai pôr pedras na minha esperança que lateja no cinza mórbido que preenche as ruas? E se eu não pudesse dizer nada mesmo vendo todo o precipício. E seu eu quebrasse o espelho do passado e pudesse não olhar para trás. E se u derramasse em nanquim as passagens que levaram meus pés ao sol. E se entre as manchas da minha pegada você ainda pudesse encontrar a chave dessa algema.E se as marcas dos meus pés que saem, borradas em nanquim pudessem voltar a trilha entre nós dois.E se você ainda pudesse me impedir.E se eu pudesse apagar o espaço cada vez maior entre as pegadas do adeus.
11/22/2007
Solução loção- Para Maria Simonetti
Quem me dera
um litro de poção
loção para matar
um sentido
de gozo
fogo
e tortura
um litro
mililitros
e suas migalhas
e seus couros
as últimas peças
que sobraram de você
um caminhão
para o nunca
é o que se resume
o silêncio distanciado
de sorrisos
corpos efêmeros
e voluptuosos
o sopro
o sopro de suas narinas
que percorrem
as costas do nosso
sarcasmo
você ri longe?
você flutua sem mim?
Esta página
solta no espaço
da nossa ousadia
em não aliar
meus dentes pedem você
e eu me emaranho
no pântano
no pântano
a últma solução aquosa
química para desesperados
esquecerem
álcool etílico
que transborda
tesão
tesão que nostalgia
os pés roçando
no cobertor
saudade
saudade
a solução
um litro de poção
loção para matar
um sentido
de gozo
fogo
e tortura
um litro
mililitros
e suas migalhas
e seus couros
as últimas peças
que sobraram de você
um caminhão
para o nunca
é o que se resume
o silêncio distanciado
de sorrisos
corpos efêmeros
e voluptuosos
o sopro
o sopro de suas narinas
que percorrem
as costas do nosso
sarcasmo
você ri longe?
você flutua sem mim?
Esta página
solta no espaço
da nossa ousadia
em não aliar
meus dentes pedem você
e eu me emaranho
no pântano
no pântano
a últma solução aquosa
química para desesperados
esquecerem
álcool etílico
que transborda
tesão
tesão que nostalgia
os pés roçando
no cobertor
saudade
saudade
a solução
10/26/2007
Tatuagem* (A Ricardo)
Esta noite,
jardim de serpentes
que me devoram os pés,
vai gerar o amante.
Ele,
sem nome ou tessitura,
ateará agulhas em brasa
e uma única palavra
sobre meu torso.
Fere-me de asas, sim?
Cega-me.
E em torno de mim
apenas o real,
mar de estanho.
*Micheliny Verunschk
jardim de serpentes
que me devoram os pés,
vai gerar o amante.
Ele,
sem nome ou tessitura,
ateará agulhas em brasa
e uma única palavra
sobre meu torso.
Fere-me de asas, sim?
Cega-me.
E em torno de mim
apenas o real,
mar de estanho.
*Micheliny Verunschk
10/23/2007
Borboleta
E quando dar a vez a um sonho. E tudo se confunde em poder ser inteiro aquele arco-íris sonhado.Fatos correm e afobam-se as labaredas da altivez, desconforto e medo. Um medo traidor de de repente a luz resplandecer. Como ser um pano límpido?Sacolas de lixo rugindo a escravidão da sujeira. Sujeira entre os dedos e as palavras negras. Migalhas de respiro, suspiro e descanso. Unhas de lince, pernas roçantes, e pêlos desconcertados. Cabelos, cabelos, cabelos. Sujeira entre as coisas más e um sentido de carinho pelos objetos.E se de repente tudo pudesse ser mesmo o primeiro impulso. Muitos tapas se dariam. E talvez muitas mortes. Muitos escândalos. E se eu pudesse ouvir toda a verdade? Mas talvez o sonho fosse tão possível quanto o fracasso, mais comum no impulso. O impulso de querer, faz parar o ar da caravela de existir. A caravela pára, lança âncoras e assegura o ser. O primeiro impulso tem a maior força do sonho. O impulso não se desgasta. Passa. Possível. Talvez o sonho fosse mais possível como um pavão que se abre em cores, foco, luz. Mas o que parece só um erro de caminho se fortalece e o monstro da desternura e do orgulho vencido toma maior forma. A forma de um ferro disforme em brasa. Se exposto, queima. E quando mesmo assim a ponte da vida com seu pavão resolve abrir alas?Você vai ser o próximo a seguir o caminho do arco-íris, o arco-íris que certamente você obstinou toda a caminhada? Você criou. Criou o segredo.Você também criou aquela ameba do canto da sala?Aquele ser quase vivo? E quando a conta vira papel e seus cálculos acertaram todos os seus erros. Um erro verídico. Quem está disposto a perdoar? E se você dissesse o íntimo. A verdade mais crua e cruel?E se nunca mais pudesse fingir? E se não quisesse fingir?Falo com muitas vozes.Muitas vozes. Conheço alguma das suas.E se de repente eu pudesse tirar de uma vez por todas essa máscara?
10/17/2007
Turquesa o que não é
E quando de repende todo o azul começa a transbordar. Você começa a derreter em palavras e a imersão de um choro toma uma forma de cor. A cor que alucina e elucida entre meu seu corpo. Eu não queria muitas vezes falar. O medo brota de uma outra vertigem, como o sangue. Começa a correr na veia, mais que uma vontade, mais que um querer de buscar estrela. Sim, eu apanharia mais que uma contelação por nós dois. E estou entre os corais, e estou entre o vento que me toma e a parte muitas vezes que queria descorrer de mim. Já não tremo. Não corro. Nem absolvo a conduta de niguém. O tempo e sua assombrosa carroagem, não passam, voam, acendem, plainam me apalpam. O tempo me provoca como uma bebida que espalha o sangue. o sangue, sangue. Sangue azul neon, sangue lilás, sangue que corre entre o seguro e o desequilíbrio. Eu sou uma sombra que tenta,tenta tremer as bases de uma nuvem. E sou a réstia fina de chuva que se embaraça no céu. Olhe para lá, para o céu além, para o azul derretido que vem inundar.Inundar a perdição de nossos quereres mais bifurcados.
10/10/2007
Nota de Falecimento
Hoje sou essa mulher que chora.Chora.Mulher que despe em água água água todas as coisas. O tremor de todas as coisas. A sua luz que não dormiu acesa no meu colo. Eu esperava que você pudesse me tirar daqui.Minha crosta está aumentando. São planos que deram errado. Quantos você sonhos fracassados você tem colecionado na cama?E no penhasco?
A sua morte repentina. Quem é você que se atirou do 12º andar?Quem te ensinou a não rir das coisas que são longes e pequenas. Quem é você que morreu com um fuzil de dor?Qual das que foram você decidiram tentar voar?
Seu pés percorreram o alambrado. Sua boca correu pontes e atravessou a história de todas as palavras. Seus olhos enxergaram tanto, tanto, que se assustaram. Quem é você que não pode me dar a mão?Muitos pediram para você não tentar. E seus braços que abraçaram galhos, subidas ao cume do deserto abafado em que o todo se alastra. Olhe para mim. Eu preciso dizer que sua risada ausente, muitas vezes me preencheu. Que embora longe, o que é desconhecido também fascina, também carinha, também deseja bem. Seu sorriso me sorria sem saber que eu gostava.E não pude dizer.Você podia voltar para um abraço? Eu ainda choro sua ida.Você começou a brotar asas, antes mesmo que eu dissesse que era um anjo bêbado. Anjos bêbados não tem medos de escadas, de linhas, de cordas bambas. Anjos bêbados procuram o sorriso que o palhaço assustou. Anjos bêbados não tem vergonha de rir, anjos bêbados não tem vergonha de não saber, de estar fora. Anjos bêbados nos encontram pelo corrredor e nos convidam a sonhar na esquina, anjos bêbados nos acompanham em nossos anoiteceres sem luz de fim de túnel. Anjos bêbados nos procuram por detrás da cortina, nos oferecem um copo, nos fortalecem e depois escondem as asas. E quando você foi tentar voar. A sombra dos eu corpo que me apavorou, a sua imagem fica pulsando todo o tempo. Ninguém pode tocar a sua camada mais densa, e você quis pular aquele enorme buraco. E você só queria chegar a ver melhor, e você só queria sentir o vento da lei da gravidade. E você queria se equilibrar na corda, no alambrado, na alma . E você só queria tentar usar as asas que estavam brotando, e de repente você poderia me dar a mão. Os seres pela metade nos acariciam. Eu esprava qu você pudesse me tirar daqui
mas antes de pular esse abismo
deixa eu dizer que estou vendo a sua auréola
cintilar entre os olhos e o óculos
e você só quer mesmo
tentar voar
voar
voar
vo
a
r
para o céu lugar.
A sua morte repentina. Quem é você que se atirou do 12º andar?Quem te ensinou a não rir das coisas que são longes e pequenas. Quem é você que morreu com um fuzil de dor?Qual das que foram você decidiram tentar voar?
Seu pés percorreram o alambrado. Sua boca correu pontes e atravessou a história de todas as palavras. Seus olhos enxergaram tanto, tanto, que se assustaram. Quem é você que não pode me dar a mão?Muitos pediram para você não tentar. E seus braços que abraçaram galhos, subidas ao cume do deserto abafado em que o todo se alastra. Olhe para mim. Eu preciso dizer que sua risada ausente, muitas vezes me preencheu. Que embora longe, o que é desconhecido também fascina, também carinha, também deseja bem. Seu sorriso me sorria sem saber que eu gostava.E não pude dizer.Você podia voltar para um abraço? Eu ainda choro sua ida.Você começou a brotar asas, antes mesmo que eu dissesse que era um anjo bêbado. Anjos bêbados não tem medos de escadas, de linhas, de cordas bambas. Anjos bêbados procuram o sorriso que o palhaço assustou. Anjos bêbados não tem vergonha de rir, anjos bêbados não tem vergonha de não saber, de estar fora. Anjos bêbados nos encontram pelo corrredor e nos convidam a sonhar na esquina, anjos bêbados nos acompanham em nossos anoiteceres sem luz de fim de túnel. Anjos bêbados nos procuram por detrás da cortina, nos oferecem um copo, nos fortalecem e depois escondem as asas. E quando você foi tentar voar. A sombra dos eu corpo que me apavorou, a sua imagem fica pulsando todo o tempo. Ninguém pode tocar a sua camada mais densa, e você quis pular aquele enorme buraco. E você só queria chegar a ver melhor, e você só queria sentir o vento da lei da gravidade. E você queria se equilibrar na corda, no alambrado, na alma . E você só queria tentar usar as asas que estavam brotando, e de repente você poderia me dar a mão. Os seres pela metade nos acariciam. Eu esprava qu você pudesse me tirar daqui
mas antes de pular esse abismo
deixa eu dizer que estou vendo a sua auréola
cintilar entre os olhos e o óculos
e você só quer mesmo
tentar voar
voar
voar
vo
a
r
para o céu lugar.
10/02/2007
O homem e sua casca
E tinha uma casca que envolvia. Era mais grossa que a casca de um ovo de pato. Ele pensava que ninguém percebia. Por isso vivia com a faca na mão. Uma faca que conseguia sujar toda a luminosidade de suas esferas brilhosas, que lantejavam e lantejavam o caminho, quando ele agradecia a vida. Sim, só quando ele agradecia de estar ali, estar ali, simplesmente. A casca as vezes, não deixava se misturar. Esse era o porblema. Aquele enorme deserto ao redor, só fazia com que a faca ficasse mais pontiaguda, mais cheia de fio para cortes profundos. A faca já ia enferrujar, alguns pés de jabuticaba nasceram ao redor. Mas ele não se mobilizava. Achava que a jabuticaba é quem tinha que ir até lá, ser cortada pela faca.De longe, a criatura ouvia os conselhos, tinha vezes que guardava a arma. Mas tinha tanta raiva de si, tinha tanta lama e uma vontade de nao mostrar tão grande sua escuridão que mergulhava no medo e o orgulho por detrás do medo exasperava e se espalhava por todos os cantos, os mais escondidos. Orgulho derramado toma todo o espaço, amedronta e é claro, intimida. Como a faca. Quando resolvia se mexer andava sem as mão no bolso e sem nenhuma oferta para ninguém. Ele achava que ninguém deveria esperar algo dele, ele que era cometa e se pensava menos que uma lagartixa. Mas ao olhar tal belezura e sua casca fina, todo mundo queria arrancar o véu, divulgar a simetria envolvente de seus traços. Mas a criatura mal sabia de sua prisão-casca. Mas a criatura nem sabia se ao arrancar tal pele, não pudesse, por acaso se ofuscar com a luz. A criatura, mesmo imobilizada por aquela segunda pele andava com um olhar insistido de não ter solução para respirar. As vezes pensava em se solucionar, e quando era tomado por isso achava que tinha de mudar de lugar. Mas era preciso mudar o seu lugar consigo, para dentro. Mas logo saía a criatura e sua casca impregnada desbravando novos céus.Em outros lugares, a casca ficava mais fina, o medo diminuia e o orgulho ficava preso apenas a fazer feliz os outros, um orgulho de ser uma criatura boa.As vezes o que estava afundo, resbalava e ele conseguia arrancar a pele e profurar lá dentro de si a faca. Achava que cortando ia ser a solução. E quando se revoltava, colecionava o nome dos ofensores e a cada um, de um jeito, feria de maneira brusca, mudando nomes, violando moradias, escolhendo o melhor discurso que deixasse o outro se sentindo menor que ele. Ele e sua casca de poder.Não dividia os medos. E quando a vida trazia flores, ele cuspia de volta pela janela. Achava que pisar em um presente mataria uma esperança em alguém, esperança essa, que ele no fundo não sabia como alimentar. Recusava os presentes, porque nao conseguia ser feliz ao lado deles, dos presentes, dos presentes. Daqueles presentes que a vida já havia dado, presentes com bocas, presentes com falas, presentes com abraços, presentes com saudade, presentes que sempre viram o homem e sua casca como uma surpresa que chegava por debaixo da porta.
9/28/2007
E quando pensamos em buscar um sorriso mais além. Esta é a resposta. E quando conseguimos. Duas pedras vivas cintilam e cintilam.E torno a repetir as palavras porque ainda elas são naturais como as asas de uma maripoza quando roçam . O repetido é belo.Repito e repito. O grande mistério que envolve os seus dois braços intocáveis para mim. O grande mistério me mantém a te olhar e a te querer ocultamente. Embora eu sonhe tocar os seus pêlos. Embora eu deite em sono, e antes de me sair, fico esperando como será o seu gemido maior. Eu...que a poeira e a traça fazem morada. Há ordenado nesta parede mil cupíns que vibram juntos pelo riso desta morada. A vida vem ocupando um sentido maior. Lavo taça, estendo roupas, e sou tão feliz quanto rolar na areia do verão. E sou tão piso que desejaria ser maria fernanda,ser mano, ser libélula, ser moita, ser vaso de espada de são jorge. Meu desejo preso de nos rir é maior que qualquer medo. Eu queria ser a água que lava os seus olhos. Parece que estou presa, mas quando mais quero ser, quanto mais brinco com o meu buraco, com minha nódoa, minha ferida, mais vôo.
9/25/2007
lugar de mim
Alguns chumaços de luz
preto e branco
é o passado e sua vestimenta
de tortura
a voz vem tecendo
um conselho calmo
vá por ali
embora os pés estejam
esticados
duros e presos
neste chão
é preciso cortar
é a força que controla
a força que torna ofegante
seu respiro
eu esperava sair daqui
você está ao léu
longe de qualquer lugar
que sobre a mim
você não pode alimentar
a minha carne
e no entando me invade
e eu que era tão inteira ali
e eu que parecia penugem
que parecia fantasma
entrando na fresta da porta
um medo de não apagar você
uma dor de ainda estar
ainda ser
com seu andar em molejo
com suas peripáceas
pulos em mim
as armas se dissolvem
e volta
volta volta
a agonia que me pulsa
o seu corpo
o seu suor
sua voz
gasta chorando
um carinho
você dá corda na caixinha
e quando chego perto
vira os olhos
eu queria que
você pudesse me tirar
daqui
ou me levasse com você
o dia invade a obrigação
de estar no ponto
seus colares
estão presos
no meu vestido
mas veja
eu preciso ir
preciso que você
abra a porta
nossas ruas se bifurcam
no vão
e deparo novamente
você não responde
eu grito
você acena do outro lado do continente
está morrendo
está morrendo
eu preciso que você
venha terminar
de matar isso
eu preciso que
esta seja a minha última
palavra de uma morte
que renasce todo dia
em outro lugar
de mim
preto e branco
é o passado e sua vestimenta
de tortura
a voz vem tecendo
um conselho calmo
vá por ali
embora os pés estejam
esticados
duros e presos
neste chão
é preciso cortar
é a força que controla
a força que torna ofegante
seu respiro
eu esperava sair daqui
você está ao léu
longe de qualquer lugar
que sobre a mim
você não pode alimentar
a minha carne
e no entando me invade
e eu que era tão inteira ali
e eu que parecia penugem
que parecia fantasma
entrando na fresta da porta
um medo de não apagar você
uma dor de ainda estar
ainda ser
com seu andar em molejo
com suas peripáceas
pulos em mim
as armas se dissolvem
e volta
volta volta
a agonia que me pulsa
o seu corpo
o seu suor
sua voz
gasta chorando
um carinho
você dá corda na caixinha
e quando chego perto
vira os olhos
eu queria que
você pudesse me tirar
daqui
ou me levasse com você
o dia invade a obrigação
de estar no ponto
seus colares
estão presos
no meu vestido
mas veja
eu preciso ir
preciso que você
abra a porta
nossas ruas se bifurcam
no vão
e deparo novamente
você não responde
eu grito
você acena do outro lado do continente
está morrendo
está morrendo
eu preciso que você
venha terminar
de matar isso
eu preciso que
esta seja a minha última
palavra de uma morte
que renasce todo dia
em outro lugar
de mim
9/11/2007
Sonho

Não. Não pense que eu vou embora. Aquela que está imersa na neblina. Não é agora que eu vou cair. Não pensei que podia chegar aqui. Um mulher com uma perna machucada. Subindo a ladeira escorregadia. A casa. A casa que não se abriga em contagens arranhões e afeições. A casa que não abriga amores em desvantagem nem almas perdidas de um laço. Os bancos tremem. O portão dos seus olhos range.Braços de galhos. Raízes entre os dedos do pé. O repuxo que monta uma ausência nas costas de um indivíduo cabisbaixo. Consolos alcoólicos que derramam a lembrança dos seus dedos quando costurados no meu cabelo.Um objeto pontiagudo que invade a carne. De repente, começa latejar. Uma dor de não ser mais.Não ter mais. Não poder mais. A quentura das suas mãos morango em frêmito na noite. A vontade de ser rio.O rio e o seu privilégio de assistir o nascer e o pôr da lua. A água que ladrilha a casa ao redor, que molha as plantas e reflete as sombras e o sol. Há uma gordura impregnada no meu querer. A casa acolhe as avalanches da noite. O barulho da geladeira é assombroso. Eu escuto os uivos dentro da sua voz branca.E os cômodos em melancolia deixam exalar uma fumaça de ausência. Eu escuto passos, declarações de afeto, e zunes entre revoadas e desavenças. É um registro da parede. É um registro que se desmancha no chão, atravessa as lajes e impregna todo o material de estrutura. Ficam suspiros espalhados de gozo, sons de arrasto, mudanças de trincos cadeados.Você ainda está aqui. Essas migalhas de pão. Sobrou?Já passou?Então não é nada. Nunca foi. Você disse que queria me ver sol, e no entanto foi o primeiro a chegar chovendo nesta campina de uma semeadura sensível demais, fina demais, tola demais. Eu manchei um lago inteiro de choro azul anil. Eu enchi uma bacia inteira de desesperos. São cacos. E cortam. Não rasgue as fotos. Só os restos são eternos. Os restos nunca voam. Ficam ali, impregnando a madeira, grudando forças de ataque e amor, glória e resistência, neutralidade. Entre o telhado e o sótão essa saudade. Que saudade de você. Sua risada avança pela casa atropela as portas e entra de mansinho pelas frestas. Parece um hino da vida. A sua frase mais bem construída, e o seu mais devoto olhar entre as horas que giram ao contrário. Ainda sou essa passagem de barro e pedra.Embora a rua tenha asfaltado você ainda me dá a mão para atravessar. Mostra qual é a flor que nasce do mar. Já passou? Eu manchei uma lagoa inteira de sonhos enganados desde a primeira viagem. Quem vai querer ouvir as histórias sobre o que eu mais perdi?Sobre os atrasos, desistências, frutas que ficaram podres na fruteira do desapetite.Mais um sonho enganado.Já passou?Sempre a ingenuidade.A ingenuidade. A ingenuidade que só cabe entre as cartilagens que geram a pérola.Qual o medo do meu olho atento?Qual é o medo do meu espelho?Se eu fui também aquela que ofereci a mão. O engano. Quando tudo parece atado, laços de força e bronze.Laços de pó. Os sonhos erram, fogem de casa. Demoram para voltar. Fica um lugar sem dança. Um breo de nostalgia se difunde entre os respiros sobrevivos. Os sonhos voltam, vão e voltam. Vivos, maltrapilhos e sedentos arruinando a vontade de torná-los secos.
Imagem *Iberê Camargo
9/08/2007
Guriá, Guriá-Indiara Nicolletti Ramos
(Guria, Guria)
Porque se afastar
ou se perder no caminho
guria,guria
Semear porque a vida
é um grande campo
Onde Ceres ensina
a separar o joio do trigo
A vida, guria
Além de constante derruir
Também é a ilusão do construir
Tudo o que se junta em anos,
Se vai, se vai
Em um sopro
de mãos de conchinha,guria
Guriá, Guriá
Porque ir além de todo o porvir
Além de todo além
Porque se afastar, guria
Caminhar que é a única certeza
A certeza é o estar,
Porque só se sabe
que esta é a sua estrada.
É o teu caminho,
O caminho que para trás você deixa, guria
E estar é o presente
O suspiro dos passos que foram
e o novo passo que inicia
Porque então guria
se perder no caminho
Pois o caminho
já é toda
a tua existência.
Porque se afastar
ou se perder no caminho
guria,guria
Semear porque a vida
é um grande campo
Onde Ceres ensina
a separar o joio do trigo
A vida, guria
Além de constante derruir
Também é a ilusão do construir
Tudo o que se junta em anos,
Se vai, se vai
Em um sopro
de mãos de conchinha,guria
Guriá, Guriá
Porque ir além de todo o porvir
Além de todo além
Porque se afastar, guria
Caminhar que é a única certeza
A certeza é o estar,
Porque só se sabe
que esta é a sua estrada.
É o teu caminho,
O caminho que para trás você deixa, guria
E estar é o presente
O suspiro dos passos que foram
e o novo passo que inicia
Porque então guria
se perder no caminho
Pois o caminho
já é toda
a tua existência.
8/31/2007
branca em neve e seus arranhões

um um pouco desta
estrutura morre um pouco a cada
dia
é negro o paletó que se pendura
a tarde é branca
e úmida
a roupa está grudada
em agonias
afeições
e amarras de fio fino
dói se prender
um pouco de mim
a vela aterrorizante
velou
há ali
entre os desesperos
e o choro do luto
uma mulher
que apodrece
em conceitos e fala
a mulher com um lenço
manchado de desesperança
a mulher em pé
acolhendo o frio
a geada
os pés
gélidos
a mulher que acena
em neve
para uma outra
que se vai
e acorda
a mesma
mesma
estrutura morre um pouco a cada
dia
é negro o paletó que se pendura
a tarde é branca
e úmida
a roupa está grudada
em agonias
afeições
e amarras de fio fino
dói se prender
um pouco de mim
a vela aterrorizante
velou
há ali
entre os desesperos
e o choro do luto
uma mulher
que apodrece
em conceitos e fala
a mulher com um lenço
manchado de desesperança
a mulher em pé
acolhendo o frio
a geada
os pés
gélidos
a mulher que acena
em neve
para uma outra
que se vai
e acorda
a mesma
mesma
8/30/2007
tom
acaba de pousar em meu ventre
um poema
está coçando
procuro o sol do dia
escondido atrás do branco
chuvoso
alguém disse que
o sol
deu as caras
a cortina continua morta
o chão cheio de pêlos
um vestígio assombra
o meu ovido
arrasta-se em granidos
forças opostas
o denso movimento
que acelera entre
nossos corpos
a sua flor salvou o meu quarto
da escuridão
a sua peça
as roupas que te escondem
me trancam
quero falar com
a sua pele
mas a porta é um colar de péroloas
anéis, furtos
preços, tábuas
barras de metal
para te ver
quero seu júblo uivando
meus seios
quero a dança monótona
dos seus dentes
ruidosos
peramulando as minhas noites
procuro
a sua sobra
pelas laterais de um suspiro
e na casa
a casa que habita
a rouquidão de uma ausência
a casa
cheia de guilhotinas
cheia de máquinas
rupturas
e o relógio do tempo
apavorando os cômodos
e o tremor das xícaras
e o fulgor
da campanhia que grita
sua parte em migalhas
juntando os pedaços
ao fundo
na procura pelo raio
se difunde
liquefeito como nossos encontros
em sono
um tom
um poema
está coçando
procuro o sol do dia
escondido atrás do branco
chuvoso
alguém disse que
o sol
deu as caras
a cortina continua morta
o chão cheio de pêlos
um vestígio assombra
o meu ovido
arrasta-se em granidos
forças opostas
o denso movimento
que acelera entre
nossos corpos
a sua flor salvou o meu quarto
da escuridão
a sua peça
as roupas que te escondem
me trancam
quero falar com
a sua pele
mas a porta é um colar de péroloas
anéis, furtos
preços, tábuas
barras de metal
para te ver
quero seu júblo uivando
meus seios
quero a dança monótona
dos seus dentes
ruidosos
peramulando as minhas noites
procuro
a sua sobra
pelas laterais de um suspiro
e na casa
a casa que habita
a rouquidão de uma ausência
a casa
cheia de guilhotinas
cheia de máquinas
rupturas
e o relógio do tempo
apavorando os cômodos
e o tremor das xícaras
e o fulgor
da campanhia que grita
sua parte em migalhas
juntando os pedaços
ao fundo
na procura pelo raio
se difunde
liquefeito como nossos encontros
em sono
um tom
8/27/2007
A flor e a Náusea- Drummond

Preso à minha classe e a algumas roupas
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvoe dou a poucos uma esperança mínima.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvoe dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
porta do paraíso

tenho uma agonia alinhavada no peito que é ancestral. brinca de ser deus e o diabo.me apavora.quem me vê, desdenha?quero comprar mais que pão.o tamanho do seu olho, me amedronta. esse caminho trilhado, essa bomba vestida de presente. você nunca liga se é tarde demais. fica devanenando as ceitas, oferendas, e me afoita enquanto só penso em bem dormir. essa febre que toma as ruas vestidas de cinza.os trajes pendurados no varal de uma moça que foi abandonada pelo marido.esperas.a sesta de quem precisa curar a gripe e se levantar. off para a janela turbulenta. off para a lâmpada de mais de 100 w. off para a geladeira que impregna a casa de ausências.off para seu conceito abafando o meu etômago.off para suas palavras que são faróis vermelhos piscando a epiderme. tecendo meu arranhão. off para tudo que não for abraço.off para o frio, para um dia a menos de bons momentos.off para os nós, as esperas.espera.espera mais um pouco.
*imagem: J.Beuys
8/23/2007
Henriqueta e Drummond...

A correspondência do afeto de Henriqueta Lisboa e Carlos Drummond que chegou a mim através do Jornal Suplemento diretamente de BH- Minas Gerais copio aqui, para delícias entre os poucos e especias leitores deste Blog:
"O seu livro chegou nos primeiros dias de inverno.Eu estava com uma gripe miúda, mas implacável-que até hoje me persegue. Instalada na minha cadeira de balanço, fui lendo o que você enviou.Além do Devaneio, tive o conforto de conhecer, devagar e detidamente, o balanço de um grande coração. Como pode ele transmitir tranquilamente, para lá, para cá, ente o viver quotidiano e as coisas inefáveis?"
Carta de Henriqueta respondendo e agradecendo a Drummond o envio do livro Cadeira de Balanço.
Outros Trechos de cartas de Henriqueta
"Minha avó costumava acordar a netinha tocando-lhe o rosto com uma folha malva. Você agora me saúda-irmão-com a mesma delicadeza de antigamente."
" Depois de ler e reler Sentimento do Mundo, quero manifestar-lhe a impressão que me causou este livro estranhamente sofrido, intensamente realizado. Não conheço, na poeisa brasileira, livro mais grave do que esse;nem mais sóbrio na sua plenitude artística, nem mais triste, na sua substância anímica. Do absoluto real, e só dele, se alimenta a sua poesia: grave, pois, pela força do elemento humano. Sóbrio pela concentração dessa força nos limites de uma arte impressiva, talhada a golpes firmes e fundos. E triste pela obstinação que o leva a refletir unicamente o lado cruel da existência. Talvez se explique o sentido da sua poesia à evidência de um choque entre cultura e civilização, se é que à primeira se condicion o espírito e à segunda matéria. Como poeta da hora presente ("Mãos dadas"), você raliza, com a sua arte seca e breve, uma espécie de balança em que se equilibram, de um lado, as nostalgias secretas de um mundo apenas entrevisto e logo perdido (" Havia jardins, hava manhãs naquele tempo!") e, de outro, a irretorquível necesidade de viver a vida quotidana, a vida de hoje, com todos os seus apetrechos de emergência"
A última lâmpada

Meu amor. Eu estou me desfazendo. Mantenha-se longe e eu me desviarei no primeiro vento.Montanhas. Você calcou, subiu, desceu, fez o que quis. Não aceitei, mas no primeiro dedo me joguei. Você quer que eu beije seus pés?Você não quer saber nada?Meu amor, o dia está acabando mais uma vez. Mais um dia sem o seu respiro perto. Você já esteve aqui. É com a velocidade e a absurdidade de um sonho, que você me toma. E é tão distante do real e próximo do sonho, que eu simbolizo matematicamente e milimetricamente suas aspirações. Estarei próxima enquanto você dorme.Nada passou.Meu amor, sinto que um pouco de mim já se dilui na sua demora. Vou transborando entre os deus dedos como grãos frios e finos de areia, me esparramo, você pisa, pisa, pisa. Eu juro que plantei mais flores. Mas as suas raízes é que povoam as escadas da casa. É a décima vez que não sei se sigo a placa, ou afoito a sua presença colada entre os dedos do meu medo.A sina prorroga suas entrefaces, eu te assisto na tv. Você passa o brilho dessa estrela fantasmagórica em muitos quereres. Meu amor, a culpa é minha de te querer ainda? Meu amor, mais uma vez, a última luz da noite na mais dolorida janela da vizinhança é a minha. Suas fotos estão a prontidão. Seu elixir reside no meu suor, eu tenho certez. Quanto tempo já durou o seu orgasmo com outro álguém?Meu amor, a única lâmpada que iluminava a cama está se apagando eu estou com muito frio.
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